julho 02, 2009

MÁQUINA DO TEMPO

O fabricante de máquina do tempo acabou de receber umas encomendas. Todas para ontem. E já entregou, pois um fabricante de máquinas do tempo nunca atrasa suas encomendas. Aliás, desde que se inventou tal engenho, a metáfora para toda inabilidade é “ser fabricante de máquina do tempo e atrasar a entrega”. O cliente chega e diz: “seu Tonico, eu quero uma máquina do tempo para ontem, pode ser?”. O velhinho, ajeita os óculos e responde com cara cética: “uai, Zé, sua memória tá ruim, hein? Eu já lhe entreguei, sô!” O cliente dá um tabefe na própria cabeça para ver se com a sacudida, a mente se atualiza e toma consciência do passado e do presente modificado graças a sua ida ali pedir a fabricação da máquina e recorda que realmente, a máquina tinha sido entregue no dia anterior. E seu Tonico acrescenta: “agora, só falta me pagar, seu desmemoriado ou não fabrico mais máquina nenhuma procê”. Ninguém dá calote em um fabricante de máquina do tempo, pois ele pode voltar ao ontem ou deixar de ir ao depois de amanhã e não entregar a encomenda. Certa vez, um cliente pediu uma máquina e seu Tonico respondeu de pronto: “faço nada, cê num vai me pagar, sai daqui seu caloteiro”. “Mas seu Tonico, é a primeira vez que venho pedir seu serviço”. “É a primeira vez mesmo, você vai me pedir uma pro mês passado, eu vou fazer, e sei que fiz porque já entreguei no mês passado e até hoje ocê tá me devendo, seu vagabundo, sai de minha oficina, fiquei no prejuízo, seu safado, só me apareça aqui com dinheiro...”. Desde então, seu Tonico só faz máquina para entregar no passado se o pagamento for feito no momento do pedido. Antes, ele fazia para receber o pagamento na entrega, mas viu que quando a encomenda era para o passado, isso não funcionava bem. Porém, para entregar no futuro, ele cobra a metade no ato da compra e divide em até três vezes e quando o cliente pergunta como anda a fabricação da encomenda que será entregue no futuro, Tonico responde: “acabei de entregar procê, voltei do ano que vem indagorinha”.

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junho 28, 2009

SANGUE

No meu sangue tem saudades
Tem o pranto que escondi
Tem o riso que guardei
Tem o peso da idade
No meu sangue tem pedaços de mim

No meu sangue há novidades,
Meu sangue não é azul
É vermelho e transparente
Refletindo totalmente
Meus sonhos da mocidade
O meu sangue corre pros mares do sul

No meu sangue há naufrágios
Meu sangue há mapas em branco,
Mantras, astros, mastros, mantos,
Meu sangue é um mar bem frágil.
Onde bóiam multidões.

No meu sangue há tubarões
Sardinhas, gatos, baleias
Meu sangue não corre em veias
Meu sangue voa em tufões
Em que navegam voadeiras

E afogado em meu sangue
Bóia um corpo naquele mar
Que eu tento resgatar
Um corpo bem familiar
De quem não sabe nadar
Mas que teima em navegar
E morre no próprio sangue.

Sou eu o corpo a boiar.
Mas eis que entendo a mão
E me puxo para dentro da embarcação.

César Miranda, 09:45 AM | Comente!(2) | TrackBack (0)

junho 25, 2009

DESAVISOS DE SETE a UM

SETE
Fizeram uma lei autorizando matar anencéfalos, como não sou anencéfalos, não me importei. Fizeram uma lei autorizando matar filhos de estupradores, como não sou filho de estuprador, não me importei...

NEUF

Quando a ideologia tem relação com a realidade viva, a coerência até se impõe. Por isso é mais fácil a um capitalista ser coerente do que a um comunista, embora os dois tenham lá seus delírios.

FIVE

A arte nos fornece a nata densa, o creme do leite da vida. Arte tem que ter acentuado sabor e acentuada textura. Pergunte à arte que você faz: “isto é leite ou nata?” E descarte-a, se for leite. Pois leite é a rotineira vida. Leite aguado.

DÉIS
O mar é que é a capital. Um lugar enorme com muita coisa bonita, não essa coisa pacata dos rios pequenos. Mas também tem perigos, tem tubarões. O mar não tem comprimento nem largura, é uma coisona só. Não é como este rio, essa coisinha espichada, curtinha, estreitinha. Assim matutava o peixe matuto.

SIX
É preguiça mental concluir que o invisível aos olhos não existe.

VI
Há uma obsessão saudável: a obsessão pela verdade. A verdade não sou eu. Ela está fora de mim e eu devo buscá-la e me harmonizar com ela. Renunciar a si é abraçar a verdade.

OITO
O matuto foi a Portugal e lá o chamaram de pá. “Ô pá, ô pá”, eles diziam. O matuto então passou a chamar os portugueses de picareta. “Se eu sou pá, eles são picaretas...”

DEUX
Ideia para um poema: ser o péssimo resumo de uma história grandiosa. Um péssimo resumo pode dar uma ótima história. Um bom também. E vice-versa.

3
O mercado é indomável. Quando o governo impõe regras, ele desobedece; Quando o governo o proscreve, ele vive no submundo, ainda mais livre.

UM
Ideia para conto: restaurante canibal onde são servidos italianos à bolonhesa, feijoada com orelha e pé de africanos, sushis de japoneses, hot-dog de americanos etc. Chama-se “Restaurante Etnias”.

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junho 21, 2009

QUADRILHA

Em junho, no complexo penitenciário do Buraco Quente, os presos resolveram organizar uma festa de São João. O diretor da prisão achou uma boa idéia uma festa de São João, mas considerou um exagerou que se fizesse uma como deve ser, com fogueira e quentão e cortou vários itens da proposta. Mesmo assim a festa se fez. Um dos presos ficou de organizar a quadrilha, que, de fato, no fim de tudo, foi só o que funcionou direito. No começo, houve o natural mal entendido “como assim, vamos organizar outra facção criminosa?”, “não, idiota, é quadrilha de São João”, “quem é idiota, mermão, qué morrê?” Mas a festança foi feita, com casamento na roça, comidas típicas e todos dançaram muito. Até a televisão veio ver e durante a semana só se falou na quadrilha dos bandidos. No ano seguinte, quando todos já tinham esquecido a festança, o preso organizador voltou a falar em quadrilha. Feliz com o sucesso, no ano anterior, pediu audiência com o diretor da prisão, que era novo ali, e foi logo falando com entusiasmo que estavam começando a organizar a maior quadrilha já vista na história daquele presídio. O diretor nem quis saber de detalhes e ansioso para usar as prerrogativas do regime disciplinar diferenciado, mandou o preso para a solitária, onde ficou isolado da malta até outubro.

César Miranda, 09:58 AM | Comente!(1) | TrackBack (0)

junho 18, 2009

ALMA

Em minh'alma está chovendo
Em minh'alma há uma coceira
Que teima, que arde e queima
Que dói feito pedra no rim
E eu tive uma crise de riso
Quando vi que é mesmo assim.

A minh'alma está aberta
Com as portas escancaradas
Por onde entram risadas,
E esperas resignadas.
Por onde saem sons ao estilo
De uma sinfonia de grilos

E em minh'alma, vendo aquilo,
Fiquei demais intranquilo
Ressentido, invadindo o recinto!
Eu planejei um seqüestro.
Sequestraria o maestro.

Tomei-lhe da mão direita a batuta
Mas não houve muita luta,
O maestro era ambidestro
E era um grilo gigantesco
Com um jeitão carnavalesco
Que continuava regendo
Tranquilo, me ignorandoi

Depois da canção tocada
Chamou-me para uma conversa
E notei naquele ser grotesco
Uns traços de parentesco
Era um grilo simiesco
Que era a cara de mim mesmo
Aquele grilo era eu.
O zumbido em minha cabeça
Era orquestrado por mim

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junho 15, 2009

A SEREIA

A sereia se mudou para o sertão. Ela sabe que aquilo ali será mar em breve (lera isso no livro de Euclides da Cunha). A vida no sertão é árida, mais do que sereias suportariam. Mesmo assim, dizem, a sereia já encantou três sertanejos. As mulheres estão preocupadas: com a sereia que chegou e com o mar que chegará. A sereia passa fome no sertão. Pensava ela que poderia viver de dar aulas de natação. “Não me admira que estas pessoas passem fome, ninguém quer aprender a nadar. Quando vier o mar, sentirão falta de saber nadar”. A sereia sofria como sofrem os profetas que vivem não a vida que têm, mas as profecias que adivinham. Ensinava para as crianças o que era água. Descrevia o mar. Dizia-lhes: “mar é o que eu choro”. E dava suas lágrimas para que os meninos provassem. Ela, que tinha ensinado a nadar tantos peixinhos... Lembra-se da escola que tinha no fundo do mar. Os peixinhos nasciam e iam pra lá. Ainda nem sabiam nadar e saiam cantando, “quem me ensinou a nadar foi a sereia do mar”. Orgulhosa, a grande professora que vivera de nado, agora nada. Nada de nados. Um dia foi à missa, pois ouviu falar de água-benta. Onde ouvia falar de água, ela ia. “Cadê a água benta?” Não havia, ela tinha que aguardar, pois a água (sempre) não dava para nada. Aguardar água que não dá, água(r)dá. “Sem água ninguém aguenta, dá-me um pouco de água-benta, para a vida dessa gente”. “Dá-me um pouco de aguardente”, os homens diziam atrás, completando a rima e profanando o canto da romaria. Na Igreja descobriu velhos conhecidos, “Santa Bárbara? Conheço demais, ela acalma as tempestades” e Maria? “Ah, é a minha rainha, ela é a dona do mar e é mãe do filho do Criador, adorei essa religião”. E ficou por ali, como todos, naquele lugar sem nenhuma ordem e nenhum progresso. A sereia era um dentre os sertanejos que esperavam o mar. Conversava com o vento. Chamava aquele vento de “vento de refrescar”, pois os ventos do mar são “ventos de levar”. Sempre pedia: “quando eu morrer, me joguem no mar”. Cantava: “eu não sou daqui, eu não tenho amor”, mas assumia que agora, era sertaneja até embaixo d’água. E sorria.

PS – Este conto curto meu foi adaptado para a linguagem de HQ, veja aqui.

César Miranda, 07:35 PM | Comente!(4) | TrackBack (0)

junho 11, 2009

PRESENTES (SAPO NAMORANDO A LUA)

Presente é coisa que não tem importância. O importante é quem dá e quem recebe o presente. Quando alguém que você não gosta lhe faz um poema, você responde falando dos aspectos formais do texto “puxa, como você é bom de rimas”. Quando alguém que você adora lhe manda um simples batatinha-quando-nasce você vai ao céu de tanto contentamento. Quando alguém que você ama lhe dá um presente bem bobinho, você com seus olhos felizes liga e diz o quanto adorou. Quando alguém que para você é atraente como um leproso lhe dá uma caixa de caviar iraniano, você liga para reclamar “ah, não precisava, você me deixa sem graça desse jeito, faz isso não, tá?” A culpa não é de ninguém, o que se pode fazer quando um leproso cai de amores por nós? O que fazer quando o leproso somos nós? Amor é coisa difícil, principalmente para leprosos. Pensando bem, o pior leproso é o leproso carinhoso.

César Miranda, 10:23 PM | Comente!(3) | TrackBack (0)

junho 10, 2009

CRIME DE GUERRA

O guerreiro foi fuzilado como criminoso de guerra, condenado pelo crime de bondade. Ele não sabia que a bondade na guerra é um crime e que guerreiro bom é guerreiro ruim.

César Miranda, 07:41 PM | Comente!(1) | TrackBack (0)

junho 09, 2009

PICASSOS

Pintores traçam modelos. E que traços!

César Miranda, 06:40 PM | Comente!(0) | TrackBack (0)

junho 08, 2009

A VIDA DO POETA

Versos eróticos na mocidade; Hinos religiosos na velhice. Eis o resumo da vida do poeta.

César Miranda, 07:15 PM | Comente!(0) | TrackBack (0)

junho 07, 2009

POR QUE TUDO ACABOU

"É que ela só falava ‘eu te amo’ com sotaque”.

César Miranda, 11:44 PM | Comente!(3) | TrackBack (0)

junho 03, 2009

EU E O ZÉ

Eu ouvia Soy Latino Americano, Hora Extra, O dono da Verdade, Vem o hômi, Lili, Quando Será? e outras dele que tocavam nas rádios de minha infância, então, soube que era o compositor [em parceria com Tavito] de Casa no Campo e que depois se tornou publicitário. Então, muito depois, veio a lista m-musica e conheci o Zé Rodrix de carne e osso e foi um impacto. Desde os primeiros contatos, um monte de coisas se mexeu em minha cabeça, alguma coisa mudando, a maioria se confirmando o que eu já pensava e muito se revelando cristalinamente como se eu sempre soubera. O Zé foi isso para mim: um enorme clarão. Ótimo frasista e contador de histórias, iconoclasta no ponto certo, radical sem ser chato, um tipo de Sócrates contemporâneo, tudo o que se quer ser quando crescer. Ainda que, ultimamente, afastado da m-musica e sem contato direto com o Zé, era sobre ele que eu mais falava, é sobre ele que mais falo. Semelhante aos oráculos, para todo situação há uma frase ou uma história do Zé que se pode usar para esclarecer ou explicar. Para toda situação tensa, há uma piada do Zé para aliviar. Para todo silêncio, há uma palavra do Zé para brilhar. Depois do Zé, cessou a falta de assunto. Era uma maravilha ler as mensagens do Zé, que criticava o mesmismo – e as tais 42 canções “boas”, eternamente cantadas - a falta de originalidade, a subvenção às artes (leia isto) e o artista que grava 1 disco por ano e não apenas quando tem algo bom para mostrar etc. Com base nas idéias do Zé, escrevi vários textos. Aprendi com o Zé, por exemplo, a ser menos preconceituoso em questões artísticas, pois para o Zé não há artista bom nem ruim e sim obra boa ou ruim. O fato é que o Zé acreditava na redenção das pessoas, acreditava que nada impedia que o Wando, por exemplo, fizesse um excelente disco, afinal o Wando está vivo e pode nos surpreender, como todo ser humano o pode. Por outro lado, um morto não surpreende mais e um dia desses, infelizmente, o Zé cessou de nos surpreender, fechou-se o ciclo, encerrou sua história, nada mais dirá e nada mais lhe será perguntado. Sua vida está brilhantemente terminada e completada. História escrita parte pelo Zé e parte por Deus, que, satisfeito com a parceria, chamou o parceiro para Si. Obrigado e até breve, Zé.

César Miranda, 07:48 PM | Comente!(6) | TrackBack (0)

maio 28, 2009

O AMOR É CEGO

O amor é cego
Usa bengala e cachorro
Pede esmola nas esquinas
O amor passa o chapéu
O amor toca sanfona

O amor é cego
Não enxerga de nascença
Não dirige, lê em braile
Usa óculos escuros
Seus olhos são para o choro

O amor é cego
Não liga pra escuridão
Não se importa com a luz
Tem senso de direção
É ele quem me conduz

O amor é cego
Precisa de companhia
Também de sinais sonoros
E de pisos indicadores
Mas é ele quem me guia

O amor é cego
O amor esbarra nos móveis
Se os tiram do lugar
O amor diz o que pensa
Pois fala sem olhar nos olhos

O amor é cego
E me pega pela mão
Guia-me por onde eu enxergo
Como se eu fosse o cego
O amor vê na escuridão

O amor é cego
Conhece às apalpadelas
Vê com as mãos e não esquece
Rico de imaginação
O amor não nos merece.

César Miranda, 10:28 PM | Comente!(3) | TrackBack (0)

maio 24, 2009

DESAVISOS – DE SEIS A VII

SEIS
Ideia para negócio: “Lojas Parapeito”, tudo para peito: sutiãs, silicone e também proteção para borda de janelas e varandas, aquilo que chama “parapeito”. Outra ideia: “Produtos Agosto”: sal, açúcar, pimenta, leite. Quando na receita constar “Sal a gosto”, é a nós que procurarão.

TROIS
Todo mundo quer vender o que produz e comprar o que precisa, capitalismo é isto. Só alguém que não queira de forma alguma obter o que precisa e nem vender o que produz é um anticapitalista. Existe alguém assim?

NEUV
O significado é a alma da palavra. A palavra é o corpo do significado. A palavra morre, sua alma não. Há significados vagando como alma penada buscando a palavra que o incorpore. Há palavras ricas, pobres, feias, bonitas, grandes, pequenas, pesadas, leves. Palavra também é gente.

FOUR
O feto é também chamado de “nascituro”, que significa “aquele que vai nascer”. Ao impedir que nasça aquele que vai nascer comete-se assassinato como se matasse um adulto, a quem se poderia chamar de “aquele que vai viver”.

HUIT
Palavrismo. Unseteúnico. adj (dir. 171). 1. Que quer passar as pessoas pra trás. “Lá vem o deputado com seu jeitão unseteúnico”. 2. Esperto. 3. Charlatão 4. Artista. 5. Bandido 6. Saudável “aquela criança tinha uma energia unseteúnica”.

UNO
Os músicos improvisadores são os que mais ensaiam. Um improviso não sai bonito se não for bastante ensaiado.

CINQUE
Morrer é ser apagado. A questão maior é se esse “ser apagado” se trata de um “ctrl x” ou de um “delete”. Lembrando que na vida não tem “ctrl z”. Mas para o Grande Programador nada é impossível. E Cristo não só salva como também faz back-up.

SEPT
Como se amizade fosse uma luta de classes, marxistas só aceitam presentes do preço que possam retribuir.

DOS
Ela disse que estava brincando, mas depois disse que estava brincando quando disse que estava brincando. Acho que estava brincado de novo.

VII
Os jovens têm que aprender com os velhos porque os velhos esquecem.

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maio 20, 2009

AUTOBIOGRAFIA

1. Meus olhos não têm fome. Só minha alma. Transpiro introversão.
2. Meu nome deveria ser Tristão. Ia combinar direitinho.
3. Vivo com meus pares. Com meus pares de sapatos.
4. Sou um ser inadequado.
5. Mais amado do que merece.
6. Sou um amador (em sentido lato).
7. A internet me deixou burro muito burro demais.
8. Sou um rio sem margens.
9. Cego, meu guia é uma tartaruga.
10. Não sou suficientemente santo para prescindir da Igreja.

César Miranda, 12:10 AM | Comente!(5) | TrackBack (0)