julho 05, 2008
DESAVISOS DE 10 A 7
10
O DETRAN deveria fazer provas para concessão de carteira de habilitação para bêbados. O sujeito enche a cara, faz a prova e obtém a carteira comprovando que dirige bem, mesmo embriagado. Nada de lei nova ou bafômetro, basta a “carteira do motorista ébrio”.
SEIS
Todo mundo é hétero, pois todo mundo é atraído pelo outro. O único homo da história foi Narciso e o narcisismo é a mó viadäge.
5
Dois lincos aí prosëis – pensamentos cativos e Contra Impugnantes.
DEUX
Um dia desses, eu disse que era conservador e uma garota me olhou atravessado. Ela concluiu que eu sou também moralista e puritano. Nada a ver...
VIII
Coisas negativas se anulam. O sim ao sim é sim, mas o não ao não é sim. E não ter vergonha é ter vergonha de ter vergonha.
CUATRO
O adultério é um dos combustíveis das histórias de amor. Sem ele, a literatura ocidental teria poucas obras-primas. A literatura ocidental é uma lavoura farta de cornos.
TROIS
Idéia para camiseta: na frente em letras pretas: “Marxistas, graças a Deus”, abaixo da foto de Groucho Marx. No verso, os dizeres: “Não me filio a partido que me aceite como militante”.
NINE
Entre os taquígrafos os clichês são conhecidos por números. “Gelou-me o sangue nas veias”, por exemplo, é o número 112.
UNO
“Ah, isso é a sua opinião”. Muita gente acha que isso é argumento. Eu acho que não é, mas e se isso for só minha opinião? Tem outro “argumento” igualmente podre: “se você é feliz pensando assim...” E quem disse que eu sou feliz? Humpf...
7
Um triângulo encontrou uma reta e acalentou-a docemente em seu vértice. Era um triângulo amoroso.
julho 02, 2008
A HISTÓRIA QUE RESOLVI ESCREVER V
Para que Eurico voltasse da ceva, usei um truque (coisa que me arrependi mais tarde), inventei que aquilo lá foi um sonho. Escrevi em seguida que Eurico acordava em casa, impressionado com o sonho muito real que acabou de ter, de que tinha ido para a ceva com o pai e estava feliz tomando uma cerveja, sentado em uma pedra, como se fosse um dos sapos do lugar. Tive prazer em escrever isso, para mostrar quem mandava naquela bagunça, não obstante preservei para o restante da história a existência do pai, da mãe, da fazenda e tudo mais que tinha aparecido sem que eu tivesse criado. A idéia que tive para me comunicar com os personagens foi a seguinte. Eu fiz o sobrinho de Eurico ouvir vozes. Acho melhor transcrever o que escrevi lá. O sobrinho que falava enquanto dormia um dia acordou e ouviu uma voz. “Rafael”, era seu nome. Ele disse “o que é, tio?”. Mas não era o tio que falava. “Rafael”, agora era uma voz de mulher. “O que é, Vó?” Mas não era a vó. “Quem tá me chamando?”. “Sou eu, Rafael”, agora era voz de homem, “eu sou o escritor desta história”. “Escritor?”, quis saber o Rafa. “Sim, você é personagem de uma história que estou escrevendo. Por favor, pede para as pessoas em sua volta não fazerem nada sem minha ordem. Para convencê-los, diga a seu tio Eurico que eu o fiz acreditar que foi um sonho, mas que, de fato, ele foi à ceva com seu avô e os milharais estavam devastados por macacos e que seu avô pagou um menino para matar os macacos”. Nessa altura da história, recebi um telefonema. Era um tio meu, muito doente, que insistia que eu fosse visitá-lo, porque “a gente não vai se ver mais”, dizia meu tio, agourando a própria morte. Fechei o micro e fui visitar o velho. Chegando lá, o encontrei muito melhor do que antes, um mês atrás, quando tivera sinais de derrame. O médico lhe receitou uns remédios e fisioterapia e ele havia melhorado. Mas insistia que “desta vez ia...”. Mandei que ele parasse com aquela bobagem e percebesse que estava melhor que antes. Portanto, que história é essa de “não vamos mais nos ver?”. Essa visita que fiz a meu tio foi só para atrapalhar minha conversa com o garoto Rafael e para criar um caos na vida do coitado do garoto. Vocês não acreditam.
Continua (...)
junho 29, 2008
DECASSÍLABOS MODERNOS - O QUE FAÇO
Todo sim que escuto é amargurado
Todo trago que tomo é por inteiro
Todo pranto que tenho é engraçado
Todo medo que sofro é bem ligeiro
Todo cheiro me vem falsificado
Todo clone me vem tão verdadeiro
Todo ensejo me chega atrasado
Todo azo para mim é brasileiro
Todo verso que faço é inventado
Todo fato que invento é verdadeiro
junho 27, 2008
TRÊS CONTOS CURTOS
VÍCIO - Viciou-se em drogas. Roubava para sustentar o vício. Com o dinheiro que sobrava do roubo resolveu se internar em uma clínica, que o livrou do vício das drogas. De volta à vida, adquirira novo vício. Roubava.
O NOIVO DA DEFUNTA - No funeral, o noivo da defunta levou flores para a noiva. Os outros levaram flores para a defunta.
VIVA SÃO JOÃO - No morro, a polícia invadiu a festa junina e prendeu uns bandidos por formação de quadrilha.
