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Noel Rosa (uma página boa sobre ele, clique aqui)é o pai de todos nós que amamos a boa música brasileira. Ele é o grande nome do afluente que gerou o samba-canção, a bossa nova e a geração seguinte de Chico Buarque e Paulinho da Viola. Sua música é negra, branca e índia, mas é, sobretudo excelente. Noel morreu mais cedo do que qualquer ser humano deveria, nem o Cristo viveu tão pouco, Noel não tinha 27 anos quando o Criador entendeu que sua missão estava terminada. Mas no pouco que viveu fez uma revolução. Sucesso de público e crítica enquanto viveu, hoje e sempre continuará sendo amado, lembrado, regravado. É ele, e não aquele senhor mítico de barbas brancas que voa em um trenó puxado por viados, o nosso Noel. É possível – e até aconselhável – fazer uma rádio que só toque canções de Noel Rosa. Há delas para todos os gostos. Ele era muito bem humorado, muito culto, harmonicamente à frente de seu tempo e poeticamente perfeito. Costumava dizer que como não tinha queixo, “não tinha do que se queixar”. Com a música de Noel ninguém tem do que se queixar. Sua obra, apesar de razoavelmente gravada, é insuficiente em quantidade e pobre é o cuidado das gravações existentes. Imagino quantos CDs dedicados exclusivamente a Chico Buarque saíram na década passada, pois bem, isto já deveria ter sido feito com a obra de Noel há tempos. Chico, inclusive, é chamado, mui justamente, o herdeiro musical de Noel. No caso de Noel e Chico poder-se-ia dizer que a máxima marxista funciona às avessas porque Noel era um humorista, um brincalhão, mesmo falando sério notava-se uma ironia onipresente. Chico não tem quase senso de humor, desta forma, a farsa teria ocorrido primeiramente em Noel para depois a tragédia surgir em Chico (farsa e tragédia aqui no sentido teatral do termo). Há, da década de 70, um disco de Nelson Gonçalves, depois só no começo dos anos 90, o MPB4 fez um muito bom com um “Quem dá mais” de tirar o chapéu, Almir Chediak produziu um songbook com partituras e um CD onde Tom Jobim canta duas canções de Noel – João Ninguém e Três Apitos – em interpretações de arrepiar. Em 1997 Ivan Lins lançou o CD triplo Vivanoel – Tributo a Noel Rosa (Velas), façanha louvável vinda de alguém que não é propriamente nem intérprete (sim um consagrado compositor) nem sambista. Houve também os dois CDs de Henrique Cazes e Cristina Buarque cantando Noel, um do Johnny Alf com o pianista Leandro Braga o CD do Zé Renato, interpretando justamente Noel e Chico (o CD chama-se Filosofia que é o nome de um samba de Noel gravado por Chico Buarque em seu disco Sinal Fechado), o grupo Garganta Profunda lançou um CD também chamado “Chico e Noel em revista” mas não ouvi ainda, os outros citados, posso dizer, são obras mais do que recomendáveis, porém é muito pouco. Atribuo essa escassez de Noel no nosso mercado fonográfico a apenas um componente importante da cultura nacional, a burrice. Omar Jubran, um paulista professor de biologia organizou a caixa Noel Pela Primeira Vez (Velas), de sete CDs duplos com 229 faixas, documento fundamental para quem quiser ir fundo – ou simplesmente se divertir bastante – na obra do sambista da Vila Isabel. A preciosidade pode ser vista e adquirida, clique aqui. A página traz links para um panorama sobre Noel sua música e sua época, uma beleza. Duas obras bibliográficas fundamentais sobre Noel Rosa é o monumental – “Noel Rosa – Uma Biografia”, de João Máximo e Carlos Didier – biografia, Editora UnB, 1990 (clique aqui para ver a capa) e o – “Songbook Noel Rosa”, Lumiar Editora, 1991 (clique aqui para ver a capa) Mais dois livros importantes sobre Noel Rosa são “Noel Rosa – Língua E Estilo” Castelar de Carvalho e Antonio Martins de Araujo, Thex Editora (detalhes aqui) e O Jovem Noel , de Guca Domenico, Editora Nova Alexandria (detalhes aqui) Se eu fosse a Maria Bethânia gravaria um CD só com Noel Rosa (com arranjos de Francis Hime). Se eu fosse o João Gilberto também. Nei Matogrosso, Mônica Salmaso, Olívia Hime, Olivia Byington, Nana Caymmi, Doris Monteiro, João Bosco, Zeca Pagodinho, Wando, Falcão, Reginaldo Rossi, todos, todos, gravem Noel, todos vão adorar porque Noel é o que há.
Em momento doloroso O amor vem se impor Vivo e esplendoroso
Um primor a principal manchete da Folha de quarta-feira dia 26/11/03, ontem. Pode significar muita coisa, por exemplo, o seguinte: - A fome cresceu tanto no mundo que não agüentou o próprio peso, entortou, entortou, entortou… e caiu no Brasil; - A fome, em visita a nosso país, após crescer no resto do mundo, não agüentou as pernas, tropeçou e levou um tombo ainda no aeroporto Tom Jobim; - A fome vinha dentro de um avião, depois de crescer no mundo e ainda em fase assustadora de crescimento, explodiu a aeronave como a Wilza Carla naquela novela, e caiu justamente em nosso país. - A fome passou sua mocidade no mundo e resolveu passar sua velhice em nosso meio; - A fome tá sobrando no resto do mundo, então eles sobrevoam nosso território onde jogam o excedente;
ps – alguém tem mais alguma idéia do que revela a maravilhosa manchete? Aceito sugestões. pps – como se faz esse tipo de pesquisa? Será que ligam para os celulares das pessoas e perguntam se já comeram naquele dia? Ou será que ligam para o presidente do país? “E aí, presidente, diz aí, como estão as coisas? O povo tá comendo?!” “Fim, companhêro, af pefoaf aqui eftão comendo maif do que no ano pafado”, “Mesmo?! Obrigado!”.
Fato interessante.
Logo após Jesus ter dito aquelas palavras ao orgulhoso Pilatos, este perguntou a Nosso Senhor:
Quid est véritas ? (em latim: “o que é a verdade ? ” )
Ora, o anagrama daquela frase nos dá:
Est vir qui adest. = “ É o homem que está diante de ti.”
São os Vícios O início do fim Dos Princípios
Escolas têm sido nada mais do que creches para jovens e adultos. Ser estudante é um estado de espírito. Nas salas de aula, estuda quem quer, quem não quer cola, compra trabalhos feitos (tenho uma amiga que vive de fazer trabalhos), além disto, aos professores é proibido reprovar alunos. Meu pai sabe ler, escrever e matemática e jamais pisou em sala de aula. Nossos maiores filósofos – Miguel Reale, Tobias Barreto, Millôr Fernandes (é filósofo sim), Mário Ferreira dos Santos, etc – jamais fizeram o curso de filosofia (os filósofos que fizeram são meros professores de história da filosofia, como pensadores são lamentáveis), aliás não são só os brasileiros, tal dado se aplica aos grandes filósofos do mundo (os bons não são bacharéis, os bacharéis não são bons). Se eu tivesse um filho, primeiramente tentaria não mandá-lo para escola alguma antes da maioridade, se isto fosse absolutamente impossível, uma vez que o Estado obriga os pais a mandarem os filhos para as escolas, mandaria para uma escola pública onde os professores dificilmente aparecem e quando aparecem, as aulas terminam mais cedo. Só deveriam existir escolas técnicas. Isto é, se você quer aprender tocar violão, fazer móveis ou uma língua estrangeira, um professor lhe ajudará a ganhar tempo, fora isto, quem quiser aprender cidadania, filosofia, literatura, teorias em geral, que vá atrás por conta própria. Após a alfabetização, que pode ser feita em casa (pena que não dá para fazer um teste real mas tenho certeza que uma criança de seis anos deixada sozinha com TV, Internet e um computador aprende a ler e escrever sozinha, como ficará sua moral são outros quinhentos…), o único livro obrigatória deveria ser “Como ler um livro” de Mortimer J. Adler, todos os outros viriam em conseqüência deste. Economizaríamos horrores com um sistema simples assim. Mesmo que você não concorde com nada disso que escrevei, guarde apenas essa verdade, estudar não tem nada a ver com sala de aula! Todos concordam que devemos estudar sempre mas quando ouvem alguém dizer “estuda, rapaz!”, o rapaz imagina logo que deve matricular-se em uma instituição de ensino qualquer e gastar quinhentos reais por mês e então desiste da idéia. Bobagem, essa é justamente uma das formas de não aprender nada. Reitero, leia o livro do professor Adler (há uma tradução também chamada “A Arte de Ler” que é a mesma coisa) e economize seu dinheiro com a pletora de cursos vagabundos que existem por aí.
O Estatuto do Desarmamento é irrelevante. A existência ou inexistência dele não vai diminuir a violência, que é a única preocupação de todos, supomos. Há bandidos de todos os níveis: Alguns que ao tentar assaltá-lo, correm se você espirrar e aqueles que assaltam quartéis do exército. Os dois são igualmente indesejáveis. Não vejo por que deveríamos nos desarmar para nenhum deles. Uma sociedade que se desarma porque a violência existe está baixando a guarda. Eu passei minha infância em uma terra sem lei ou quase sem. Era criança e vi coisas terríveis, vi homem dando golpes de facão em outro. Vi meu pai ser ameaçado de morte, já vi homens correndo com revólveres na mão atrás de outros. Em nossa casa sempre tinha um revólver. Jamais aconteceu acidente algum com a arma, nem jamais ouvi falar de algo parecido na cidade (sequer um simples furto). Os vizinhos que caçavam tinham todos muitas armas. Mas eram “armas nas mãos de boas almas” (termo que ouvi do nosso amigo Chico Sena). Enfim, com estatuto ou sem estatuto, nada mudará se não mudarem as almas. Ninguém fala isto mas o problema da violência é espiritual, fruto da maldade humana pois nem todo cidadão desarmado é pacífico nem toda pessoa armada é perigosa.
Inventaram um remédio para baixa auto-estima. A maioria dos pacientes não quis tomar, achavam que não mereciam.
Capítulo I
Só tem uma coisa pior que o barulho. É o silêncio. São duas da manhã e a cidade está mortinha da silva, nada se ouve, que coisa terrível, esse maldito silêncio. De repente ouve-se um latido, que diabo, não se pode pensar em paz que vem um maldito cachorro latir a quilômetros de distância nos cafundós do Judas?!?! Claro, só o ouço a essa distância por causa do maldito silêncio absoluto. Se a cidade estivesse viva e pudesse eu ouvir os barulhos normais, a desgraça desse cachorro passaria despercebido. Mas isto também é terrível. Achar normais os barulhos da rotina a ponto de não ouvirmos um cachorro latindo a alguns quilômetros. O silêncio é deprimente. O barulho por sua vez me deixa realmente de mau humor, eu fico louco com muito barulho a minha volta. Não sei o que é pior. Parece que é o silêncio. Talvez por ser meu drama atual. Amanhã terei saudade de hoje. Isto se eu dormir porque enquanto você não dorme ainda é hoje. É justamente por isto que dormimos para termos a vã ilusão de que estamos começando algo novo no dia seguinte. Conversa fiada, não há nada de novo nunca. É sempre a mesma realidade de sempre. De dar náuseas. Mas algum idiota metido a esperto deu para dividir a vida em espaços distintos para evitar a loucura. Uma vida sem o sono diário (ou noturno) e a sanidade iria muito cedo. Diabos, agora é a porcaria de um grilo. Os grilos também só são ouvidos nas noites silenciosas. O dia cala os grilos. Será que o grilo se emudece durante o dia? Pouco provável. Certamente os cães os ouvem. Que diferença fará o silêncio ou o barulho para um cão? Os cachorros devem preferir a noite e a tristeza. Quando se tem muita alegria, tem-se muito barulho. É som alto (caixa com mil decibéis que deixa o mundo parecendo a Bahia com seus malditos trios elétricos, invenção do cão), foguete, eu sou como um cachorro, odeio esses barulhos. Aqueles que os soltam deveriam ser empalados com seus foguetes. Os pobres cachorros entram debaixo das camas com medo dos barulhos. Os cachorros merecem tal castigo de vez em quando, afinal é um tipo de animal realmente insuportável, mas eu, o que fiz, para ficar agüentando os tiros de canhão dos tais foguetes? Tem que ser muito débil mental para associar isto com alegria. O correto seria usá-los para a tristeza. “Vejam, corram, venham aqui me ajudar, estou triste, me alegrem, por favor, por isto soltei o foguete”. Mas significa justamente o contrário: “estou feliz e você não tá, toma um tiro em seus tímpanos, seu maldito infeliz”. Ô chatice! Imagine um dentista em seu trabalho insuportável de olhar para a boca das pessoas com instrumentos perfuro-cortantes nas mãos, no auge daquela carnificina bucal, um infeliz, só porque tá feliz, solta um foguete? O problema é que um som não avisa quando vai chegar, ele chega primeiro. Você não tem escolha, se tivéssemos seria melhor. Será que chegaremos a esse ponto? Você recebe um telefone que lhe pergunta, “você quer ouvir um estrondo descomunal daqui a dez segundos?” Você responde “claro, não vejo a hora”, estão o estrondo se dá. Agora são três horas, estou quase desmaiando, vou dormir muito tarde hoje, o que significa que amanhã ficarei todo o dia com um sono atroz e não há nada mais ruim que o sono irrealizável. Não adianta tomar porcarias como café com coca-cola, comigo isto não funciona. Jamais funcionou, apenas adiciona-se ao sono o arroto, o mau hálito e uma possível gastrite. Por isto, não tomo qualquer excitante para o meu sono, quer coisa mais nojenta que guaraná em pó, oh, coisa ruim!. E comigo funciona tanto quanto musse de maracujá, isto é, nada, quando não piora o sono porque eu fico na maior expectativa de que ficarei cem por cento esperto e como a esperteza não vem, soma-se ao sono a frustração e a sensação da perda de tempo e dinheiro por ter caído no conto das gororobas acordativas. Assim viro apenas um otário sonolento.
- Os pobres são pobres por culpa dos ricos tanto quanto os feios são feios por culpa dos bonitos. - A causa da pobreza é a escassez de ricos. - Quanto mais ricos existirem menos pobre existirão. - No Brasil não há muitos pobres o que há são poucos ricos. - Se toda riqueza fosse um roubo, roubar seria o método para se acabar com a pobreza.
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