A CIRURGIA (conto curto)

Na mesa de cirurgia com o peito aberto e rodeado de médicos está o homem mais amável e generoso que aquela cidade já conhecera. Tinha um grande coração. Tão grande que espantou os médicos. As veias, aurículas e ventrículos não suportaram tamanho coração. A tentativa desesperada de salvá-lo por meio de cirurgia foi vã. Como costuma acontecer, sua maior qualidade, ter um grande coração, foi a causa de sua morte. Morreu como sempre vivera, de peito aberto.

NOS PEGARAM!

Foi mal, !.

HAICAI INTUITIVO

Eles vêm do mesmo lugar
A capacidade de sorrir
E o talento para pensar

PALAVRISMO

Escândaluz.

MÁXIMAS

- Zona eleitoral é o bordel de onde vêm as mulheres públicas.
- Os políticos roubam para que depois possam ter a melhor cela que o dinheiro pode comprar.
- Penso em fazer um curso de leitura lenta. Leio rápido demais.
- Não sou radialista nem pintor. Não falo, nem pinto.
- Eu te amo, mas, por favor, não tome isto como uma cantada.

CRASH

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Muito bom esse filme Crash – No Limite. Agora lembrei uma coisa, não tem gay. Que coisa, hein!?

MORTO TAMBÉM É GENTE

São tantos mortos com segredos preciosos citados nessas CPIs, que me espanta que não tenham chamado algum espírita para invocá-los a dar algum esclarecimento. Morto eu, se fosse chamado para depor em CPI, ia ficar muito invocado.

UM DOS DOIS ESTÁ MENTINDO

Todas essas reportagens que os partidos dizem serem caluniosas já deveriam ter fechado todas as revistas nacionais por calúnia ou todos os partidos por corrupção. É surreal demais o convívio da imprensa e dos partidos brasileiros desta maneira. Um dos dois já era para estar falido. O convívio passivo do brasileiro com tanta empulhação é também digno de nota.

CIDADÃO NA ESCURIDÃO

Naquela terça-feira cheguei em casa como sempre chego às 21:30, de um curso que faço toda terça-feira de noite. A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi desligar a luz. Tinha esquecido de desligar a luz da sala ao sair. Se chegasse e a luz tivesse desligada, eu deixaria desligada. Até hoje não entendo porque as pessoas precisam de tanta luz para andar dentro da própria casa. Chegando em casa vindo de um curso, o que devo fazer? Primeiramente colocar os livros em cima da mesa. Sei onde é a mesa? Sei, então é só ir até lá, no escuro mesmo e deixá-los lá em cima. O escuro aqui é sempre relativo. Nas cidades grandes em que vivemos não existe escuro. Sempre há uma janela por onde entra a luz da cidade. Pois bem, depois, o que farei? Vou para o quarto trocar de roupa, vestir algo mais confortável. Sei onde fica o quarto? Sim sei, moro lá naquele apartamento há tempos, como não saberia, então para quê ligar a luz? Só para gastar à toa. Chego ao quarto e tiro a calça e a camisa, coisa para a qual não preciso de luz mesmo, pois sei muito bem onde está meu corpo naquele momento. Sei onde fica a porta, para colocá-las atrás? Sim, sei, acabei de entrar. Então, pra que luz? Desperdício, puro desperdício. Então peguei o violão (sei onde ele está muito bem). Toquei um prelúdio de Bach de olho fechado, nem precisava, pois já estava escuro mesmo, mas é uma peça que toco há muito tempo. Ainda com a alma quase glorificada do êxtase celestial que é tocar Bach, me senti além de tudo um ótimo cidadão por sempre economizar energia. Liguei a TV e uma notícia dava conta de que os empresários desconfiam que um novo apagão virá por aí, caso o governo não providencie imediatamente novas fontes de energia. Então, imediatamente, liguei todos os interruptores do apartamento! Explico-me. Da outra vez que se ameaçou um apagão, todos os lares tiveram que reduzir o consumo em 20% da média de seus últimos meses. Imaginem se me obrigam hoje a fazer isto, eu que já ando na escuridão o tempo inteiro?! Agora tratarei de aumentar meu nível de gasto com energia, que não adianta ser um bom cidadão no Brasil, que você logo recebe seu merecido castigo.

LAICO

Vamos esclarecer o que quer dizer que “o Estado é laico”. Isto significa que o Estado não é crente de nenhuma religião, porque o Estado não é uma pessoa, o Estado não será julgado por Deus nem irá para o inferno e muito menos para o céu. Querem transformar a “laicidade” do Estado em “laicismo”, isto é, querem tornar o Estado em um crente da sua própria laicidade. O Estado não tem religião justamente porque ele deve respeitar todas as religiões de seus cidadãos. O que ocorre hoje com essa interpretação errônea do termo “Estado laico” é que querem fazer do Estado uma pessoa anti-religiosa, que proíbe seus cidadãos de se manifestarem e demonstrarem que são religiosos, coisa que ocorre nos países comunistas e nas piores ditaduras atéias de todos os tempos. O Estado é laico, isto é, o Estado deixará quem quiser passear com os símbolos de sua crença e condenará quem o proibir. Se um juiz for cristão, o Estado não deve obrigá-lo a tirar a cruz de Cristo na parede. Se a aluna for muçulmana não deve ser obrigar a deixar sua roupa muçulmana em casa etc. O que se quer instituir é justamente o avesso.