Trocamos olhares e, desde então, tenho estes olhos castanhos.
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Trocamos olhares e, desde então, tenho estes olhos castanhos. O cristianismo é uma auto-ajuda às avessas. Os livros de auto-ajuda têm como objetivo aumentar a auto-estima do leitor ou mostrar aspectos da vida que o faça ganhar tempo ou dinheiro, ou qualquer outra coisa para ele se dar bem. Na contramão disso, o cristianismo exorta os fiéis justamente a burlar a lei do menor esforço, tão cara à humanidade. O cristão deve andar pelo caminho difícil, passar pela porta estreita e em sua vida cotidiana comparar seus atos aos de cristo. Assim, o cristão é, além de um ET neste mundo, também otário aos olhos das pessoas normais. No centro da vida do cristão não está seu ego e sim Deus e seu semelhante em quem ele vê Cristo. Eis a diferença entre uma religião de resultados e a verdadeira. É a mesma diferença entre a Bíblia e os livros de auto-ajuda. Já votei no Enéas uma vez. Foi quando eu usei como critério votar no candidato mais engraçado. Não lembro quais eram os outros, mas lembro que fiquei indeciso entre Enéas e Marronzinho. Na próxima eleição provavelmente o critério será outro, ainda vou pensar. Quem sabe o que tiver pior dicção ou o que eu imitar melhor. Em qualquer desses quesitos pode significar possivelmente um voto no Lula. Tenho um amigo que sempre vota no candidato que tem a mulher mais bonita. De qualquer forma, o importante é não usar como critério essas coisas aí que nos aconselham os intelequituais como o programa do candidato, seu passado ético ou outra baboseira equivalente que isto não tem nada a ver e é pura perda de tempo. Sabe o que é o chorar? “Já está provado por A + B que A + B não prova nada”. Com esses versos, Falcão resume toda a filosofia moderna. “Se eu te pegar se esmurrando de novo, eu te desço a porrada”. Adormeceu de exausto que estava após uma noite inteira procurando o sono que perdera. O Papa vetou a participação de uma artista brasileira na festa de natal do Vaticano porque essa cantora participa de campanhas pelo uso da camisinha, como se camisinha (e não a castidade) impedisse a AIDS. A cantora, irmã de Freddy Mercury, tomou aulas de história e teologia com algum político e disse que a posição da Igreja é medieval e anticientífica. Se a posição do Vaticano fosse medieval, eu também discordaria do Papa. Porém, “a posição medieval do Vaticano”, nem é posição, nem é do Vaticano, nem é medieval. Trata-se apenas da defesa do 6º Mandamento ditado pelo próprio Todo-Poderoso a Moisés (e ratificada por Jesus Cristo). Se um católico acha que tem direito de discordar de Deus, eu tenho o direito de achar que não se trata de um católico (discordar do Papa vá lá, mas de DEUS?!?!?!). Na mesma reportagem que li, enfim, um sujeito de uma ONG a favor da camisinha disse acertadamente que “a Igreja se mostra uma instituição cada vez mais fora de seu tempo”. Gostaria de ter feito essa frase (e que ela fosse mesmo verdade), pois é justamente por isto que sou católico. Sempre que a Igreja se mostra “dentro do seu tempo” faz besteira (a propósito, a Igreja não tem tempo, ela cuida de coisas de fora do tempo mesmo). A notícia teve também um trecho hilário, disse o diretor do Programa Nacional de DST-Aids do Ministério da Saúde (a sério), que nesse episódio, “o Papa é que sai perdendo”. Como se houvesse um ganho maior do que perder um show de axé. O Papa saiu no maior lucro, isto sim. Todo vilão bem intencionado se julga herói. Mas o verdadeiro herói quer apenas destruir vilões. |
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