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Post dedicado à Jules e ao WM Voltando de férias, afônico de tão rouco pedi a meu amigo André de Oliveira (que tinha um blog maravilhoso e fechou, coisa odioso essa de bons blogs fecharem, o que pede um blog coletivo chamado “sociedade dos blogs mortos” com textos do André, Felipe Ortiz, Juliana Lemos, Marcelo de Polli, Martim Vasquez, Bruno Gripp e tantos outros que, agora que qualquer um, até jornais, tem blog, pararam com essa coisa de blog para, quem sabe, se manterem na vanguarda ou para não se entediar por fazer parte de um “movimento” que aparece na capa da Época. Só pessoas de até 15 anos deveriam ter blogs, o que nos daria mais 3 anos do ótimo Blog do Biga), pois bem, eu dizia, pedi ao André, que é médico, que me receitasse um remédio para a rouquidão e ele, mui responsavelmente, me disse que o melhor remédio para o rouco é o silêncio. Eu lhe respondi que, semelhantemente, o melhor remédio para a pele também é a escuridão, mas as mulheres usam dezenas de cremes e que eu queria algo parecido com tais cremes. Só que para a garganta não existe creme. Tentei ficar em silêncio. Se condenar ao silêncio é como engessar um braço. A diferença é que não me engessaram a boca, então sempre se fala alguma coisa, ainda que com um fiapo de voz. Quando o telefone tocava, não sabia o que fazer. Quando o interfone tocou certa vez, desci para a portaria e perguntei o que era (era engano). Quando nos perguntam algo que a resposta é sim ou não, é mais fácil, mas fica difícil quando a coisa requer algum esforço silogístico, mas ia argumentando aos poucos, sempre falando mais baixo e quando terminava minha explanação, meu interlocutor está falando tão baixo quanto eu, é engraçado (havia também os que falavam comigo gritando e eu tinha que esclarecer “estou rouco, mas com meu ouvido está tudo bem”). O chato é quando vem – e sempre vem – uma vontade enorme de cantar um samba que exige um agudo (“tu não sabes amar, para quê tens um coração, ai meu Deus”), só resta ficar na vontade e imaginar a Teca Calazans cantando a bela melodia. O que ocorre é que as pessoas falam mais do que deveriam. Uma vez fiquei sem buzina no carro e, de fato, não precisei usá-la nenhuma vez até que a consertaram e saí por aí buzinando desnecessariamente, como todo mundo faz, como se no mundo não houvesse barulho demais. (me lembrei de Harpo Marx que fazia um mudo que vivia com uma buzina, como aquela do Chacrinha, que lhe substituía a fala, ele não falava, mas buzinava). Sugeriram que minha rouquidão fosse faringite, mas não era, pois nem comi tanta farinha assim para me atacar uma faringite (pausa para risadas). Pois é, cheguei das férias e tive umas férias maravilhosas, revolucionárias, eu diria. Conheci uma senhora que só come coisas boas para saúde porque só gosta disso. Ela saliva vendo um prato de granola e detesta açúcar. Ouvi uma criança falando para o meu amigo Manelão (que anda descalço há uns 30 anos, como São Francisco ele tem pés descalços e é poeta) que a chinela dele é “natural”. Ele achou engraçado. Visitei praias e cemitérios (tenho um morto novo, um tio muito querido). Conheci e amei pessoas. Fui abraçado e rejeitado pela mesma pessoa (a Tatá, minha sobrinha de 2 anos, seus mente suja). Lembrei de piadas antigas e esquecidas (a mulher na loja de armas: “a senhora tá comprando essa arma para se defender, não é?” pergunta o vendedor. “Não”, responde a mulher, “para me defender, vou contratar um advogado”). Outra, do Falcão que diz que nas rádios do nordeste é comum o locutor anunciar: “e agora vamos ouvir com o finado John Lennon, ‘Imagine’” (tudo pronunciado com sotaque paraibano). Vi a “Funerária União”. Não entendi, pois deveria ser “Funerária Desunião”, pois é isto o que funerária faz, nos desune dos nossos mortos (ou dos nossos vivos). Se bem que a Funerária União pode ser união mesmo, isto é, talvez seja especializada em covas coletivas ou genocídios, suicídios coletivos, chacinas, etc. Deve ter anúncios na tv local do tipo: “Amigo suicida, não tenha medo nem se dê ao trabalho, venha à Funerária União, nós matamos você para você!” Revi amigos que não via há décadas e foi maravilhoso, pois todos me acharam muito bem conservado. Poderia ter ficado mais, pois seria mais divertido com certeza, pois não há nada mais divertido do que ficar na casa de meus pais só os ouvindo conversar com meus irmãos e sobrinhos, pois eu sou a pessoa mais sem graça da casa, todos são mais engraçados e vou lá recarregar meus assuntos e apurar a técnica, embora seja frustrante ouvir uma tirada de meu pai e ter vontade de bater com a cabeça na parede por não ter pensado naquilo antes. Aquilo lá é meu mar, para onde eu, riacho, corro naturalmente duas vezes por ano. Fora o amor insubstituível que sentem por mim e eu por eles. Então, a rouquidão foi até barato. Um dia, com a alma calejada de pancadas de existência, com o espírito dolorido de tanto viver, com as costas arquejadas pelo peso dos anos, a pessoa acorda um dia e descobre que é um adolescente. É assim a vida. Anjos não precisam de chinelos. Aliás, jamais entendi por que o Superman usa sapatos. Se eu pudesse voar, não pisaria no chão. A mãe produzia leite condensado, os filhos eram diabéticos. Sem corpo, a alma dorme. Sem alma, o corpo dorme. O peixe, amestrado por de Heráclito, nunca nadava no mesmo rio. Os filhos de Heráclito nunca nadavam no mesmo rio. O que não se faz por uma idéia! A mulher reclamava, “ai, Heráclito, que exagero, e na piscina, a pessoa não pode se banhar duas vezes na mesma água da piscina?” O velho efésio já arrependido com a bendita frase, respondia “ah, numa piscina, vá lá, mas trocam as águas de vez em quando não trocam, da segunda vez tem urina, não é a mesma água mesmo? No aquário, a mesma coisa. Mas seria ridículo se eu dissesse ‘ninguém se banha nas mesmas águas duas vezes, exceto em piscinas onde não mijam, aquários e afins’, tenha dó!” A mulher retomava “oh, Heráclito, muda o disco, ninguém banha no mesmo rio, além disso, isto valerá pra qualquer coisa? Ninguém vai ao mesmo show duas vezes, ninguém come a mesma lasanha duas vezes, ninguém varre a mesma casa, ah, ninguém vai engolir isto, quer dizer, eu tenho uma amiga que não veste o mesmo vestido duas vezes, mas isto é raro, tem que ter dinheiro.” Pelo jeito, não era só o Sócrates quem tinha uma anta como esposa. Não é à toa que Wittgenstein não se casou, imaginem o que sua mulher não faria com sua frase “o que não se pode falar, se deve calar”? Salvo, evidentemente, caso se casasse com mulheres como as amigas que tenho, todas lindas e geniais. Respirar é uma coisa que ajuda bastante a pessoa viver. Brasília é como um pão-de-queijo, seca por fora, macia por dentro e é coisa de mineiro. Não há muita diferença entre dizer mentalmente e pensar mentalmente. Há pessoas que dizem mentalmente e pensam com a língua. Antigamente de alguns políticos se dizia “rouba, mas faz”. Hoje (nos ensina Reinaldo Azevedo) é “rouba, mas distribui renda”. O raciocínio deve ser sempre o contrário, “faz, mas rouba”, “distribui renda, mas rouba” e se rouba, deve cair fora, não importa se faz ou se distribui renda, babado, roupa usada ou o que quer que seja. Aquela orquestra era tão pobre que parecia uma mulher, só tinha duas trompas. Você não precisa de muito esforço para ter contato com Deus. Basta se abrir e deixar que Ele lhe invada. Ninguém recebe mais conselhos do que os felizes. Basta você estar muito feliz, que logo aparecem dezenas de amigos lhe aconselhando a mudar de vida. A essas pessoas costumo aconselhar que parem de dar conselhos. Mercenários entram em greve em protesto ao acordo de paz assinado pelas duas famílias mafiosas. “Possente, possente thà ,gran sacerdotisa” é uma ária de Aida de Verdi. Lá no meio dela tem uma flauta que toca exatamente uma parte de “A saudade mata a gente”. Se o respeito ao sexto mandamento fosse um valor nosso, tudo seria diferente. Os muçulmanos vêm aí para nos destruir. Eles nos desprezam e somos mesmo desprezíveis. Não obedecemos nosso Deus. Queremos o que há de bom em nosso Deus, mas não queremos amá-Lo sobre todas as coisas e nem reconhecê-Lo como nosso Senhor e com isto caminhamos para nosso fim, caso não mudemos a rota desta carroça. A importância de adotarmos o cristianismo em nossas vidas é fundamental para que mantenhamos aquilo que conquistamos graças a ele. Quando você não quer Deus em sua vida, você não O tem. Deus é um cavalheiro. O que acontece é que, desde Adão e Eva, sempre que Deus dá às costas ao homem (no sentido de deixar o homem se divertir sozinho), este faz merda. Depois volta chorando ao Pai, que, como todo pai, acolhe, perdoa, cura as feridas e tudo recomeça. Assustadora é nossa situação. Há campanhas que querem nos transformar em uma sociedade abortista, outras querem institucionalizar o homossexualismo. Enquanto isto, os muçulmanos vêm aí, sem abortos ou viadagem, encher nosso mundo de muçulmaninhos. A quem clamaremos por ajuda? Quem nos salvará dessa horda? O Chapolim Colorado? O Papa Bento XVI fala em sua primeira encíclica sobre o homem que abandona a Deus e depois quando as armas humanas não resolverem seus problemas, a quem ele vai recorrer? O fato é que hoje combatemos contra nosso Deus. Depois não reclamemos na eminência de sermos aniquilados por um povo que obedece ao seu Deus. Eles de fato não nos aniquilarão. Apenas ocuparão o lugar que era nosso. Nós mesmos nos aniquilamos. Os muçulmanos apenas ocuparão o lugar do cristão que não nasceu porque a mãe tomou pílula, do cristão que não nasceu porque a mãe o abortou, do cristão que não nasceu porque os pais se tornaram gays (portanto estéreis), do cristão que não nasceu porque cristãos já não mais existem. É em Cristo que a mulher ocidental alcançou sua dignidade. É o Cristo que impede o apedrejamento da mulher pega em adultério. E em São Paulo (o apóstolo, não o time) que diz que o corpo da mulher pertence ao marido e o corpo do marido pertence à mulher, pondo definitivamente fim à superioridade masculina sobre a mulher. O ponto da questão é: não basta à mulher moderna achar lindo e digno de ser seguido apenas a parte feminista do cristianismo. Ela deve achar lindo e digno de ser seguido todo o cristianismo, sob o risco de perder também a parte mais confortável da questão. E mais, deve acreditar na promessa de Cristo, enfim, ter fé em Jesus, nosso Salvador e trazer essa fé para a sua vida. Abandonamos Deus quando abraçamos o relativismo e cultuamos a dúvida. Hoje muitos voltam à religião por meio de crenças pagãs, como se Jesus não fosse de fato o que de mais novo há em matéria de religião. Mostrem-me uma religião (ou ideologia, vai) que seja superior a uma que se baseia no amor e no perdão. Hoje no mundo em que vivemos e no estágio em que se encontra a sociedade ocidental, adoramos adorar ideologias e como todas elas são desastrosas, criamos ideologias como o viciado que troca de narcótico, crente que o próximo não lhe causará mal como o anterior. Pegamos um acidente qualquer, como o homossexualismo, por exemplo, e o transformamos em ideologia. Pegamos uma idéia tosca qualquer (um acidente também) como o comunismo, por exemplo, e a transformamos em ideologia. Vamos transformando coisas fortuitas em ideologia e tais incidentes nos aniquilam, pois são mesmo aniquiladores em sua essência, pois se não o fossem, não seriam acidentes e o natural no ser humano seria o homossexualismo, o comunismo e o sexo sem reprodução. Deus quer que quando você fizer sexo, você tenha filhos. Filho é coisa boa. Jamais vi alguém em são estado mental falar mal dos filhos que têm. As crianças de minha família são maravilhosas e graças ao bom Deus que eles nasceram. Pois bem, milhares de crianças, indesejadas no começo da gravidez, hoje fazem a alegria de milhares de pais que abriram mão um pouco do controle que tem sobre a própria vida e confiaram em Deus. Dê uma parte de sua vida a Deus, pelo menos uma parte. Argumentar com os próprios atos, eis o grande desafio! Quem argumenta com palavras geralmente queima a língua. É possível não estar só e sentir-se solitário, diz uma revista. Pois bem, é possível também estar solitário e se sentir acompanhado. Quem tem Deus jamais está só. Do mesmo jeito que o cego enxerga Deus e o mudo fala com Ele, a solidão daqueles que amam o Senhor é uma contradição em termos. Não é impossível a um surdo cantar uma canção. Impossível é ele aprender a música. O destino do surdo cantor é ser compositor também, para ter o que cantar. Prometa a si conhecer as 4 sinfonias de Brahms, é para o seu bem. Jornais não deveriam ter caderno de cultura. Só quando alguém produzisse algo que pudesse ser considerado em importância a, por exemplo, A Sagração da Primavera (que é uma barulheira chata). Estamos sempre esperando reconhecimento, admiração e apreço das pessoas, enquanto isto Deus bate na testa. Burro é para puxar carroça, mas no Brasil eles entram para política. O homem é um animal com quem Deus dialoga. O livro tem a função de ocupar espaço e dar trabalho na hora da mudança. Assim como os teólogos estudam a ciência, os físicos deveriam ter uma matéria chamada “milagres”. Hoje quando alguém diz “cuide-se”, geralmente está aconselhando o uso da camisinha. A vocação de alguns para produzir merda chega a ser admirável, pela eficiência da produção, não pelo produto. Órgão Público são os genitais das prostitutas. O dinheiro não tem o menor respeito pelo dono. A Solidão é a real prisão O melhor lugar do mundo é onde temos quem nos quer. O que comem os participantes no intervalo de um suruba? É difícil uma suruba de canibais porque alguém sempre entende errado e espeta um e põe pra assar. O espelho não vê com bons olhos os narcisistas. Vão acabar com a propaganda de bebidas, como se as pessoas fossem para os bares assistir tv. A estrada da procura do amor humano é calçada com pedras de falsas juras. Se a Bíblia se bastasse e devesse ser levada ao pé da letra, a frase “a letra mata, o espírito vivifica” não seria um versículo bíblico. Preguiça é a covardia sem medo. Liberdade é dominar a vontade. A educação é outra parecida com a coerência. De que adianta uma educação marxista para todos? A educação sozinha não significa muita coisa. Educação para todos sim, seria ótimo, mas que tipo de educação? A que o MST dá a suas crianças? No quesito música insuportável, o Brasil tem produzido obras-primas. A opinião de um artista sobre a própria arte não tem importância. O problema não é crer em Deus. O problema é confiar no deus errado. Abraão, por exemplo, não era monoteísta. Ele acreditava em outros deuses. O Islã precisa urgentemente de um João Gilberto para modernizá-lo, sair dos três acordes. Todos os caminhos que levam até Deus levam também à liberdade. A escravidão é apenas uma coisa: a falta de Deus. Apesar desta vida maluca, eis uma luta diária, a conquista da delicadeza. Após cada comício, deveria haver um contracomício (ou um “semmício”), isto é, o povo deveria ficar para ser esclarecido sobre todas as bobagens, acintes e mentiras oriundas das bocas asininas de quem discursou. Após cada discurso desses de candidatos de esquerda em igrejas protestantes, tenho vontade de estar presente só para subir ao púlpito e falar das palavras fingidas que acabaram de ouvir, ditas por seres que jamais esconderam que são ateus, pró-aborto e que sempre cultivaram agendas escandalosamente anticristãs e em tempos de eleição urdem uma fé mais falsa do que nota de três reais. Ou você é cristão ou é de esquerda, as duas coisas são excludentes. A raiz do esquerdismo é justamente a negação de Deus e a idéia tosca de colocar o Estado no lugar de Deus. O político de esquerda sabe disto, então quando ele entra em um templo cristão para pedir votos, demonstra o quão realmente é ateu e no seu desrespeito ao pedir votos a cristãos nada mais faz do que tripudiar sobre o Deus alheio. Que enorme banquete satanás fará com as tripas dessa laia! Eu toco teclado qwerty (há também o teclado abcdefg, que é o teclado do piano). Não seja movido a internet. Viciado é aquele que não pode consumir algo. Por exemplo, alcoólatra é quem não pode sequer chegar perto da cachaça. Já, nós, que não somos alcoólatras, podemos encher a cara à vontade. O que significa que vício é apenas uma prisão psíquica. Basta você se libertar e voltar ao copo sem medo de ser feliz, amigo cachaceiro. A criação deste instrumento blog resultou na inclusão (ui) de todo mundo que tem acesso à internet e quer ter uma página ali. No começo, achei que era meio coisa de menina ou de gay, mas logo vi blogs com cara de livro bom e resolvi também dar minhas chapuletadas. E é muito bom ter um blog. Você experimenta, experimenta, escreve o que quer até criar uma linguagem parecida com você, é muito divertido. Faz amigos, aprende, descobre que muita gente não gosta de você e no fim das contas o resultado é como em sua vida pessoal, no meu caso, com poucos amigos, mas amigos de nível elevadíssimo, como poucos poderiam ter, o que me faz concluir, que pessoas de alto nível são bem humoradas e que a falta de senso de humor é um tipo de burrice. No começo o pouco que se salvava da blogosfera era o Alexandre, o FDR, o Ruy Goiaba, o pessoal d’O Indivíduo, depois a Meg abriu seu blog e eu criei o Pró Tensão. (Esse nome, que não é um palíndromo, é sim, um trocadilho e uma citação meio enviesada de uns versos do Tao Te-King). Este blog nasceu em 10 de janeiro de 2003, o que significa que faz agora em agosto, 3 anos e meio e já publiquei quase três mil posts (este é o post n° 2.970 – noves fora, zero), coisa bem rara de se ver, pois blogs não duram muito mesmo, por razões várias, mas a principal é, como diria o Jaiminho, a fadiga. Em novembro de 2003, fui convidado pelo Wundermeister Marcelo de Polli para entrar para os Beatles e nosso livro Wunderblogs.com saiu pela Barracuda em julho de 2004, graças a coragem empreendedora do Freddy Bilyk e a paciência, talento e doçura da Isabella Marcatti, nossos maravilhosos editores. Falam muito na relatividade do tempo, que ele passa rápido quando estamos felizes e lentamente quando as coisas estão difíceis. Tenho verificado, porém, que o tempo tem progredido e o que sinto é que o tempo tem voado cada vez mais velozmente em qualquer situação, boa ou ruim, e que os noventa primeiros anos de nossas vidas passam muito rápido mesmo. Há também em nós uma vontade de que o tempo passe mesmo, que nem é auto-sabotagem, pois queremos que as coisas se sucedam, que as fases ocorram, que a hora do almoço chegue, que o gozo aconteça, que o fim-de-semana chegue e quando ele chega, que sábado chegue e quando sábado chega, corremos atrás daquela coisinha melhor do nosso sábado e ela só acontece se o tempo passar e no segundo seguinte pensamos no próximo sábado e assim, puxamos o tempo pelos cabelos, enquanto ele nos leva pelo braço. Uma urgência: devolver a alma de alguém. Na casa mal-assombrada, quem é morto sempre aparece. O passado é um fantasma. O passado é a prova de que fantasmas existem, pois nada mais real do que o passado. De fato, dos três, futuro, presente e passado, só este existe, persiste e há em abundância. Os outros dois são meras miragens. Admiram-se quando digo que não gosto de escrever. Pois não gosto mesmo. Escrever é coisa para secretárias, digitadores, datilógrafos e companhia. Gosto de pensar e o escrever é conseqüência disso. É como se fosse o subproduto do ato de pensar, que tem que ser expelido, para dar lugar a outro pensar. Ora, não acho agradável expelir nada, mas tenho que expelir e me sinto aliviado. Ah, mas eu gosto de brincar com as palavras (como os palíndromos e alguns haicais), mas não creio que fazer palíndromos possa se chamar de escrever. Escrever é se usar palavras para dizer algo. Já essas brincadeiras com palavras e letras, elas são O algo a ser dito. Quem faz um poema concreto, por exemplo, não é um escritor não, pelamordedeus. A cabeça da serpente pessimista pensa que é só rabo. A serpente é uma girafa sem as quatro patas. Quando vão fazer um filme chamado “Nascido em 11 de setembro”? Só o mar atrapalha o pescador. Só a distância atrapalha o corredor. E o atrapalho é tudo o que eles querem. Livro de auto-ajuda para corredores não traz conselhos para que ele pare de correr. Há um só Deus, mas há muitos adeuses. Quisera eu, que, como Deus, só houvesse um, só um e não mais que um adeus. Ou menos que isto. Nenhum. Que só houvesse mesmo Deus e nenhum, nenhum adeus. Eu não sei por que amo um monte de coisa. Amo a música, amo as palavras, um bom livro, uma linda poesia, amo meu Criador, amo Cristo que morreu para me salvar mesmo sem eu merecer, quem amo, amo sem saber o porquê (junto e com acento). Deus nos fez porque (junto e sem acento) Ele é Amor. Um amor que não se conteve e produziu estrelas, planetas, um lindo universo, para então criar um ser, que sopraria nas narinas o fôlego da vida. E esse ser Seu companheiro no exercício da contemplação e do amor. Fomos feitos para amar. Amamos por instinto. E um dia, se alguém tiver muita sorte, Deus criará um outro alguém decretado por Deus para aquele alguém amar. Se eu chamar e alguém não vier, penso sempre que a pessoa não quer nem me ver pintado. É o lado ruim de ser cavalheiro. Um cavalheiro jamais se impõe, é como Deus. Deus não obriga ninguém a amá-Lo. Já um cavaleiro vai atrás de sua donzela que está presa no castelo. O homem ideal é uma mistura de cavalheiro e cavaleiro. As flores são colhidas, expostas depois, recolhidas, pálidas de sol são substituídas e a natureza refaz seu ciclo. A mulher não é uma flor. Não é semente nem fruto que se colhe e põem à mesa. É sim, o supremo invento do Autor da natureza. Se o sol queima a pele dela, vê-se o não fugaz encanto, uma vez que não é flor, pois fica ainda mais bela. Tem arsenais de beleza e o destino de ser mais que flor de mais majestade e esplendor do que toda a natureza. Caprichosa, simples e extravagante, nutrindo-se de vestígios de amor, sempre viva, vai rompendo escuridões. Sincera, sensível e exuberante, florescendo a qualquer tempo, ignorando as estações. O presente só existe, isto é, só dizemos que ele existe justamente quando saímos do tempo e vamos para aquele eterno presente que na verdade não é presente, pois sequer é tempo. Conversando com uma amável amiga dia desses, eu falava que o prazer de tocar um prelúdio de Bach é comparável a ver um ótimo filme e a namorar quem amamos. Em tais momentos, saímos do tempo e experimentamos um pouco o paraíso, quer dizer, a eternidade, onde não há tempo. Um famoso celista disse que tocar Bach sozinho é o paraíso, porém, tocar a mesma peça de Bach em público é o inferno. Sempre senti o mesmo e achava que era coisa de músico amador. Há alguma coisa aí que é própria da música barroca, acho. Namorar também é assim. Se você for obrigado a namorar em um palco para que todos vejam, seria um inferno. Voltando ao tempo. O tempo passa. Mas a verdade não passa. A verdade é o que se passou no tempo, a verdade é o passado, por isto ela não passa, pois se o presente nos escapa o tempo todo (e deixa de ser presente o tempo todo), o passado jamais deixa de ser passado. A pregação igualitarista, as denúncias contra “as desigualdades” quando toma conta da cultura de um país costuma ser muito eficiente na produção de inveja e ódio pelas camadas sociais detentora de menos bens. Geralmente tal cultura de vitimistas é fomentada pelo próprio Estado, suposto detentor do poder de resolver “o problema”. Quando a inveja se transforma em violência, os donos do Estado têm os argumentos que precisam para implantar a tão sonhada (por eles) tirania. No Brasil, país de gente passiva, essa agressividade é diretamente fomentada e financiada pelo Estado a grupos que nada mais são do que o braço armado e violento dos burocratas de plantão. Esquecem-se de que é burra, a idéia de forjar o cumprimento de profecias. Isto é, não que não seja a coisa mais natural do mundo que as pessoas queiram mudar de status (para melhor), o que significa, em algum sentido, que somos mesmo naturalmente invejosos. O invejoso pode se comportar, sob frustração, com violência. Se tal inveja for endêmica, naturalmente hordas de invejosos frustrados sairão por aí, sei lá, depredando o Congresso Nacional. Porém esse tipo de coisas naturalmente não se daria ou até poderia se dar caso se tratasse de um evento profetizado, isto é, decretado pelo destino. Um encontro de invejosos com esse intento só se dá “assim do nada”, quando é forjado por fabricantes de profecias, coisas que os marxistas, para horror de Marx, são especialistas. Se você for de esquerda e achar bonitos os ideais marxistas, ótimo, é um direito seu. Porém, tenha coragem e honestidade de perceber que esse povo aí que está no poder não serve. Coloquem outros esquerdistas no lugar deles. Qualquer esquerdista, menos esses enlameados. A questão aqui não tem relação alguma com esquerdismo ou direitismo, o problema são os alicerces onde bailam a esquerda e a direita. Até em gafieira tem estatutos. Urge que os formadores de opinião gritem essa verdade básica: o básico está sendo desobedecido. Esta verdade óbvia: estão ignorando o óbvio. Por uma fatalidade, dessas que vem do além, a esquerda escreve mal e a direita escreve bem. Deve ser essa a explicação para grande massa de esquerdistas que lê Reinaldo Azevedo, Alexandre Soares Silva e liam Paulo Francis, pelo menos as caixas de comentários de páginas de direita é cheia de comentários de esquerdistas. Imagina se eu perderei tempo lendo blogueiro defensor de uma ideologia que eu discordo? Mas, enfim, o marxismo é mesmo uma espécie de masoquismo, essa pode ser outra explicação para os canhotos vermelhinhos serem grandes fãs de escritores que odeiam. Mas ainda fico com a primeira hipótese, o masoquismo, típico de quem não crê em Deus, pois também o ateísmo é masoquismo. De veio em veio, eu me fiz fonte. De grão em grão, um canteiro. De chão em chão, o horizonte. De meio em meio, fiz-me inteiro. De tanto estrume na cabeça, nossa mente fica fértil. Sou um matuto. O maturo absoluto. Pode ser esquisitice. Contra a qual eu já não luto. Já lutei, mas não tem jeito. Foi assim que eu fui feito. Desse jeito todo bruto. E por mais que eu lapidasse. Ficava inda mais matuto. Ia mais me matutando. Era assim que eu melhorava. Tem gente que pra matuto. Tem que se deslapidar. Já eu, tanto fez ou tanto faz Se melhoro ou se pioro. Não sei se rio ou se choro. Mas desde que sou menino. Trago em mim esse destino. A sina de matutar. Um dia desses recebi um email, uma resposta, do poeta Jessier Quirino, para quem não conhece, ele é, mal comparando, a mistura de Patativa do Assaré, Xangai e Falcão com uma pitada de doçura. Na resposta, danei a imitá-lo, a fazer uns jogos de palavras parecidos com o que ele faz. Temos esse impulso de imitarmos a quem amamos, talvez só assim, acharemos nosso próprio caminho. Mas que é esquisito e até ridículo, isso é. Imaginem um concerto com Luciano Pavarotti e toda a platéia cantando junto com ele. Dá vontade de mandar aquela malta calar a boca e deixar só o grande tenor dar seu show. Imaginem pessoas levando violinos, violoncelos, trompas e clarinetas para também “cantar” junto com a orquestra a que vão assistir. Da mesma forma são os comentadores de blogs. São platéia cantando junto com o Fábio Jr o seu grande sucesso “senta aqui” ou “quero colo”, como se fora o artista que tivesse ido vê-los cantar. Como se o Alexandre Soares Silva, cansado de Nabokov, tivesse feito o blog só para ler seus comentadores. Putz! Enfim, no email seguinte, pedi desculpa ao poeta e me comportei como gente séria e normal e não cantei junto. Não cantem junto, gente. O artista que se preza despreza isso (eu não sou um artista que se preza, pois adoro meus comentadores). A dialética é um dos vícios de nossa raça. Por isto, costumamos agir contrariamente ao que defendemos ou temos a mania de acredita com ardor naquilo que detestamos fazer. Há muitos poemas de suicidas dizendo o quanto a vida é bela. Ao contrário, nem imaginem que quem fala mal do Brasil ou da vida tenham a menor intenção de se livrar de um dos dois. Há mesmo a natureza intrínseca das coisas que obriga que a realidade assim seja. Por exemplo, a política, coisa que mais necessita de pessoas honestas, é geralmente hospedaria de bandidos. Isto é, o bandido, que por temperamento deveria ser tudo menos político, busca nela um equilíbrio de suas tentações e vai lá “dialeticar” na vida. De tensões semelhantes vem o sabor da vida. Pensava nisso quando chamei este blog de Pró Tensão e observando a vida, fiz muita graça, graças a Deus, em cima de nossas graças e desgraças. Fui muito bem recebido por gente muito generosa e amorosa (e de muito bom gosto e charme) e deste blog só ganhei coisas boas em momentos difíceis da vida, que eu precisava mesmo de carinho. Ainda preciso, sempre precisarei do amor de Deus e do carinho dos amigos (todo mundo foi feito para ser amado), porém, atualmente manter o blog se tornou dolorido e em seguida se tornará impraticável. Quem não tem problemas de falta, geralmente se queixa de excesso. Envelhecer é ir deixando de comer coisas e de ir a lugares. A função de um professor é nos impedir de ler os livros errados. Nosso legado cultural só nos ajuda a adquirir os livros, para entendê-los, precisamos do Espírito Santo de Deus. Ocorreu-me outra coisa, que, sendo fábricas humanadas de contradições, deveríamos entender as razões de quem discorda de nós, nesse sentido, Nosso Senhor nos exorta a amar nossos inimigos e rezar por quem nos persegue, até porque nós mesmos somos amiúde nossos próprios inimigos e sabotadores de nossa própria vida. Amar o inimigo é tratar o outro como tratamos a nós, pois se nós, que nos prejudicamos, queremos nossa própria felicidade, àqueles que nos quer prejudicar, também deveremos dar o crédito de compreensão que jamais deixamos de dar a nós mesmos. Quer ver mais tensões? O Brasil, por exemplo, que é um país bonito, então o povo capricha na própria feiúra. O maior problema do Brasil é a pauperolatria. Aqui se cultiva a pobreza por questões estéticas (ou anti-estéticas). A maioria, ricos e pobres (coisas que no Brasil se mistura), acha linda a feiúra. Quanto mais a moda é feia, mais o povo acha bonito (nos diz o poeta Juraíldes da Cruz). Para compensar a beleza do Araguaia, o povo da beira ouve música ruim. Aqueles poucos que ouvem música bela, nem olham para a beleza da natureza. O povo brasileiro gosta da pior pobreza que existe, a pobreza da beleza e esta é responsável por todas as outras pobrezas. Temos que lutar sempre contra o exílio da beleza de que somos tentados por viver nesta bela terra sem tufão e outras coisas feias. Isso é muito triste. Então, sem tristeza, agora que é lançada esta Antologia, anuncio que este é o último post do Pró Tensão. Obrigado a todos. Que Deus seja louvado!
Após alguns anos morando lá, ele descobriu que ali era um hospício e ele, evidentemente, era um doido. Contou, animado, a revolucionária descoberta para os amigos e ouviu: “tá maluco!” A partir disto, passou a ser tratado pelos outros como um demente. Não era a primeira vez que era tratado pelos seus pares como um matusquela. Desde que nasceu sempre o consideram um lunático, de tal maneira que o internaram no hospício. Agora era a vez dos doidos de verdade o julgarem um doido. Logo agora que possivelmente estava bom, pois pela primeira vez tivera a noção correta de sua situação. Sentiu-se feliz. Era doido sim, porém, na opinião de um bando de birutas. Sentiu-se normal mesmo proscrito e marginalizado pelos amigos. Já estava acostumado. Pensava o tempo todo: “que loucura, meu Deus! Que loucura!” |
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