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Sou o significado que busca a metáfora. Sou o sentido atrás da comparação A alegoria por trás da definição Sou a solidão do monumento Ao qual falta um emblema Sou brasão sem divisa Acepção sem dístico Eu sou este poema Aviso sem lema Impura legenda Sem símbolo. Só isso, Ato!
O entusiasmo do povo com o Obama reafirma minha fé na capacidade humana em acreditar nas ilusões deste mundo, personificadas no ser mais improvável e bizarro: o político. O político é um problema que a inocência do povo teima em ver como solução. “Democracia” deveria ser, como o nome diz, “governo do povo”. Mas o povo quer a democracia para tirar o corpo fora e deixar a coisa com um político, que é justamente o entrave da democracia. Apesar da bizarrice, dá para entender um povo inebriado, soltando foguetes e comemorando a vitória de um time de futebol, de pilotos de fórmula 1, mas a vitória de um político?! Caraca! Dá vontade de gritar: “gente, é um político, vocês deveriam vaiar…”. Aliás, eleição é justamente para escolhermos quem vaiaremos (o Millôr diz que jornalismo que não for de oposição é armazém. O que dizer de um povo que não é de oposição, que baba no ovo do burocrata de plantão? Um povo de oposição, isto é que seria saudável). E a crise? A crise que vejo é sempre essa: a eterna ilusão de que um político ou um regime político vai nos salvar. Acorda aí, gente, alegre-se com o curingão que é campeão e voltou pra primeira divisão, porém, sinta pelo Obama o mesmo que sentia pelo Bush Jr, vai por mim. Aliás, o Obama é pior, pois até o direito de vaiá-lo querem nos tirar. Fico muito satisfeito quando um ser tosco é eleito para alguma coisa. Vibrei com a eleição de Severino Cavalcanti (fiz até poemas sobre isso), pois todos detestavam o Severino. Quando um certinho é eleito, tremo! Um certinho, o do pior tipo, acredita no messianismo do povo a seu respeito. Lula é uma mistura de Severino Cavalcanti com Barack Obama e gosto muito de sua porção Severino Cavalcanti, quer dizer, sua parte que me deixam vaiar. O diabo é o Obama. Só voto em quem posso vaiar em paz.
Uma das serventias da arte é nos ajudar a sublimar algumas fantasias. Arte é masturbação sem a saciedade. E o desejo não é coisa para se realizar, pois realizá-lo é dar-lhe fim. O desejo, se quisermos que permaneça desejo, é para ser proclamado, expresso, divulgado, revelado. Com a arte, o desejo é dito e não morre. Na arte, damos um pretexto ao desejo, pois o desejo sozinho não tem motivo algum. Porém, quando podemos, realizamos o desejo. Deixada a coisa por nossa conta e podendo escolher, jamais o diríamos, apenas o faríamos. Geralmente realizamos o desejo e só depois pensamos a respeito do que fizemos. E por que um desejo realizado não precisa ser dito, chego à conclusão óbvia de que poesia é coisa de frustrados e todo poema de amor é sobre uma espera, inclusive é feito enquanto se espera. Quem vive não escreve poemas.O poeta é somente um amante frustrado (e o amante é um poeta bem sucedido). Fazer poema para alguém não é um bom sinal sinal.
O que é um blog? Deixa eu dizer (nem venham com o argumento bocó “isso é o que VOCÊ pensa”, pois tudo o que eu digo é o que EU penso mesmo). O verdadeiro blog é aquele feito por gente normal que não tem muito o que fazer. Blog profissional não é blog. O verdadeiro blog é de variedade, pois gente normal não se interessa por uma coisa só. Os blogs de jornalistas são jornalismo, não blogs. A blogosfera é uma cidade do interior sem fins lucrativos. (eu disse isso? “sem fins lucrativos?” Muitos ganham dinheiro com blog, da mesma forma que muitos ganham dinheiro com serviço voluntário. Como dizia Cioran, a coisa começa sempre bonitinha, mas, quando tem gente na jogada, a esculhambação aparece. Dinheiro é esculhambação. Aliás, dicas de como ganhar dinheiro com blogs são recorrente nos blogs de verdade). O verdadeiro blogueiro publica em seu blog com freqüência, o que deixa alguns desses blogs difíceis de acompanhar. No verdadeiro blog há muitos links para fotos, links para jogos, links para blogs, links para artigos em outros sites, aliás, muitos links pra tudo. É comum ver a mesma coisa (um sorteio, um vídeo no you tube, campanhas contra e a favor qualquer coisa) em diversos deles, pois o verdadeiro blogueiro tem vários amigos também blogueiros. As coisas engraçadas que escrevem são piadas que copiaram de outro blog. Opinam às vezes e, na política, são loucos pelo Obama (parece que todos são de esquerda). De religião a maioria nada fala, mas os que falam são ateus ou ostensivamente anti-Igreja Católica, sem, contudo, certamente, jamais terem lido um único livro de teoria religiosa, sem, contudo, certamente, jamais terem lido um único livro de teoria religiosa, o que seria o mesmo que eu ser ostensivamente contra a meteorologia (assunto sobre o qual, sou ignorante). A propósito da capa da revista Época desta semana, “Os 80 blogs que você não pode perder“, quando comecei a folhear, lembrei da antiga revista “Primeira Leitura” que fez a primeira reportagem sobre blogs da grande imprensa e, relacionando 11 blogs que não se poderia perder (naquela época), um deles era o Pró Tensão e outro era o do Alexandre, dois Wunderblogs (é que foram perguntar sobre blogs para o Nelson Ascher…). O Wunderblog era um portal de blogs com pessoas com alguma pretensão literária. Continuamos fazendo a mesma coisa, agora aqui no Apostos, portal que tem como característica a pretensão total e absoluta. Pois bem, voltando à reportagem da Época, enfim, vem ali uma lista de blogs que se pode chamar de blogs e outros tantos que são apenas páginas de jornalistas sem jornal ou de jornalistas com excesso de material que precisam de espaço para aparecer de alguma forma. Eu falei na hora em que abri a revista: “serão só blogs dos 56″. E o que é “Os 56” ? Os 56 são blogs e eu assim os chamo. Só os conheço como 56 e 56 serão. Os 56 são aqueles blogs que têm cara do “blog verdadeiro”. São o que eu chamo de blog, não esta página minha aqui que tem cara de água mineral. São pessoas sem muita pretensão literária, que não são mesmo escritores, mas que usam admiravelmente muitas possibilidades e funcionalidades da internet em seu blog, coisa que eu sempre me ressenti e não faço por pura falta de paciência, competência e porque, afinal, não devo mesmo ser um blogueiro verdadeiro. Mas voltemos aos 56. Se não me engano, a coisa surgiu uma vez que vi alhures uma lista com os 56 melhores blogs brasileiros. Dando uma passada na lista, vi que havia vários bem famosos aos quais eu nunca tinha ido, como o Kibe Loco, por exemplo. Bem, abri uma pasta nos meus favoritos e coloquei ali todos e chamei a pasta de “Os 56″. Depois adicionei mais alguns. São co-irmãos, muito coloridos e alegres, meio cheio de confissões íntimas, opiniões qualquer nota. São blogs engraçados, antenados e ligados entre si. Quando um descobre um vídeo interessante no You Tube, quase todos falam do tal vídeo. O mais interessante é que há, dentre esses 56, alguns blogs que, pasmem, são úteis. Finalmente, é bom que se saiba, estão fazendo blogs úteis como, por exemplo, o super simples e o Lista 10. Os blogs que eu costumava visitar eram muito diferentes daqueles d’Os 56. Os 56 são os verdadeiros blogs, são a Banda Calypso da internet. Se você quiser saber o que acontece no mundo dos blogs, é n’Os 56 que tem que dar uma passada. A propósito, não conheço ninguém de lá e jamais deixei comentário em algum deles, mas os acho admiráveis. Com essa lista da Época, minha lista dos 56 aumentou um pouco. Há vários ali que eu não conhecia e que se encaixam perfeitamente no perfil 56. O Treta e O Bobagento deveriam estar nessa lista da revista, pois são muito divertidos e não devem nada a alguns co-irmãos que estão lá. Estranhei a presença do blog do Nelson, que é um artista, não um blogueiro. Uma lista de melhores blogs não constarem o blog do Alexandre e o blog da Meg? Realmente, não sei nada de blog.
Saio pelos bares em busca da batida perfeita, algo que leve gelo e limão. Leite condensado, talvez. Que seja uma batida leve, que não provoque batidas de carro. Mas não há mais barman intimista que fique ali, zen, em seu quarto ou laboratório, experimentando, provando uma dose, duas doses, três doses… doze doses. Um químico cachaceiro que colocasse em frente de si garrafas de rum, scotch, gin, cognac, brandy, vermouth branco, doce, seco e tinto, cointreau, tequila, grappa, poire, calvados, jerez, perdod e vários xaropes: grenadine, morango, framboesa, kiwi e groselha. E se pusesse a fazer as mil combinações possíveis ou mais de mil. Que recorresse a um matemático para saber exatamente quantas combinações são possíveis e que não parasse enquanto não dosasse todas elas, afinal, a arte da batida está ainda, mal comparando, no samba-canção, ansiando para entrar na Bossa-Nova. E um dia encontrarei a batida perfeita e chamarei o barman para parabenizá-lo: “essa é a batida perfeita, rapaz, parabéns. Como é mesmo seu nome?” “João Gilberto”, responderá o garçom. “Puxa, João Gilberto, essa sua batida ainda vai ficar famosa, rapaz. E digo mais, vai influenciar muita gente, pode escrever”. E ele, com a modéstia dos diluidores: “ah, que nada, foi só um traguinho que eu fiz…”.
1 - Entenderam porque democracia é coisa boa? Depois de quatro anos (ou oito, vá lá), você tira um sujeitinho pilantra e bota um outro neguinho no lugar e a vida segue. Esperemos que um dia Ruanda, Nigéria, Quênia e Somália elejam seu primeiro presidente branco. Ou mulato, vá lá.
2 - Vamos combinar: romântico apaixonado é quem morre por amor. Quem mata por amor é psicopata.
3 - Agora que começa a Era Obama, o Ruy fecha o Pura Goiaba. Sou contra (as duas coisas). Obrigado por tudo, amigo Rogério, e volte logo.
4 - Ultimamente tenho deixado de ler para namorar e, desde então, sinto-me mais sábio. Tenho deixado de ir ao cinema para namorar e tenho muito mais histórias para contar. A namorada fica toda culpada por me fazer tão feliz.
5 - O Unibanco comprou o Itaú (ou vice-versa, sei lá). Não demora muito e o Banco do Brasil compra a Caixa. E logo depois, o Bradesco compra o Banco do Brasil.
6 - Uma colega ganhou dois ingressos para ver o novo filme do Bruno Barreto. A coitada suou para conseguir quem quisesse ir ver a tal produção. Infelizmente, eu tinha umas louças para lavar.
7 - Por que o dia das bruxas pegou por aqui e do dia de Ação de Graças ninguém fala?
8 - Segundo os simplórios analistas políticos, Lewis Hamilton ganhou o campeonato de Fórmula 1 só porque é negro. O fato é que Barack Obama foi campeão porque Massa foi o vice. E vice mulher dá um azar danado. Sarah for president.
- Temos que arrasar nesta greve. - É mesmo, tive uma idéia, vamos colocar música ruim para espantar os pelegos que se atreverem a furar nossa greve. - Isso mesmo, tem que ser aquelas músicas insuportáveis. - Isso mesmo, o que você sugere? - Tava pensando em Alban Berg, Schoenberg ou Stockhausen. Aquilo é horrível, fala sério… - Nããããããããããããão. Tiririca, rapaz! Tiririca é muito melhor que Alban Berg. - Ah, fala sério, que tal então, John Cage? - Não, não, não! Egüinha Pocotó, Boca da Garrafa, Latino! Puxa, dão de dez em Alban Berg. - Conversa, você já ouviu a música de câmara de Schoenberg? - Não. - Então, ouve, você vai achar melhor que Tiririca. - Duvido. Você já ouviu “Índia, teus cabelos” com Tiririca? - Não. - Então, ouve, você vai ver que Tiririca coloca esse Alban Berg e Schoenberg no bolso. - Tá, faz assim, vamos levar para decidir na assembléia, o que é melhor, Alban Berg ou Tiririca. É só colocar na pauta de votações. - Ok, mas infelizmente não vou porque eu sou da igreja batista, não freqüento a assembléia não…
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