Plantas carnívoras infelizes
Queriam sair para caçar
Mas estão presas às raízes.
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Plantas carnívoras infelizes Caem brasas A planta carnívora ignora Novo texto na coluna sobre Música Popular Brasileira, no Imaginário Poético. Gosto mais das palavras do que das ideias. Isto é, gosto das ideias para fins de contemplação. Elas não deveriam ser escritas. As ideias deveriam nascer e morrer na cabeça do pensador (inclusive esta). Se assim o fosse, o mundo seria melhor. Tenho medo de boas ideias (boas ideias são como pacifistas, que é gente muito perigosa). Pensar é bom, escrever é ruim. Pensar é o bem, escrever é o mal. Então, gosto das palavras como o amontoado de letras pronunciáveis que são. As palavras existem para serem pronunciadas em boa dicção. O significado das coisas são as coisas. As palavras existem por si, sem nenhuma função, são obras, não matéria-prima. Quando a palavra é boa e bonita não me interessa saber o que ela significa. A prosa sofre do terrível mal da utilidade. Toda prosa conta, descreve, argumenta é, enfim, serva das idéias ou dos acontecimentos. A prosa esta presa. Meu sonho é ver uma prosa tão livre a ponto de ser magnificamente elevada à inutilidade, isto é à categoria de arte. Montou um berçário e deu o nome de “clube do choro”. O sertanejo pegou a enxada e foi fazer carreira solo. Marido traído dá à luz um filho do amante da mulher. Porque ele pronunciava “subsídio” corretamente. O chorão se despediu do choro. No dia de sua aposentadoria houve muito choro. Foi uma alegria só. |
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