DESATAVIOS

1. Amar é ter mais de uma vida.
2. Na delegacia: “me grampearam”, reclama o papel.
3. Paciente não é o doente. Paciente mesmo é o defunto, que fica lá quietinho, pacientemente.
4. Todo infeliz deveria ser infeliz por isto, mas muitos são felizes.
5. Sou responsável pelo que digo, por isso eu só falo do que digo. E nada mais digo.
6. Os visionários brasileiros sofrem de glaucoma, catarata, hipermetropia e cegueira congênita.
7. Não confunda maxixe com xaxado.
8. Achei um defeito em “Batman – O cavaleiro das trevas”: não tem mulher pelada.
9. O tempo está passando tão rapidamente que até o que é ruim tem durado pouco.
10. O espelho foi feito para a gente refletir melhor.

AMOR EM JOGO (2005)


As histórias de Nick Hornby geralmente mostram um cara normal se comportando como os caras normais se comportam, isto é, de forma ridícula. No fim das contas, o cara percebe o quanto tem sido idiota e que quem está certa é a sua namorada ou todas as mulheres que passaram por sua vida. De fato, isto é tudo o que precisa ser dito sobre a psicologia masculina: sós, somos, não raramente, equívocos ambulantes, o grotesco personificado. É assim em “O grande garoto” e em “Alta Fidelidade”. É assim neste filme dos irmãos Farrelly, onde o comportamento masculino ridículo é o mais bizarro de todos: o torcedor fanático. O cara é um tipo de corintiano americano, que dedica seus verões ao timão e se julga o mais feliz dos seres. Mas um dia ele descobre o amor da Drew, que ameaça dar uma goleada no fanatismo eternamente juvenil do sujeito. 10 a zero pro Nick. Filminho bom para assistir juntinho.

O SEGREDO DA PESCARIA

A melhor crítica sobre a bosta daquele filme foi feita pelo Reinaldo Azevedo aqui. Reinaldo foi o único que disse a verdade sobre essa grossa bobagem. Os dois gays não eram caubóis. Eram sim, pastores de ovelhas. Isto muda tudo, isto retira esse filme da lista de filmes de caubóis e o passa para a de filme de pastores de ovelhas. Quê mais? Ninguém fala que é também um filme de pescadores. Em vários sentidos, afinal, os pescadores têm fama de mentirosos e os dois viados vão pro mato dar vazão a seu homo-erotismo sob o falso pretexto de que foram pescar. Tratava-se de mais uma mentira de pescador. Certamente, quando chegavam em casa, falavam de peixes enormes que tinham pescado. Tudo mentira. Enfim, trata-se também de um filme de mentirosos e adúlteros. Recapitulemos, é um filme de pastores de ovelhas, mas como são gays foram promovidos a caubóis. São mentirosos e adúlteros, mas como são gays, o adultério e a mentira foram promovidos a paixão e amor proibido. Jamais teve chance de ganhar o Oscar de melhor filme, mas como é um filme gay, falam que foi uma zebra o outro filme Crash (que não tem nenhum gay) ter levado a estatueta do Óscar, que afinal de contas não é grande coisa, tanto filme vagabundo já ganhou esse prêmio. É assim hoje em dia (parece o julgamento aos atos criminosos da esquerda, onde as ditaduras, se forem de esquerda, são democráticas e os seqüestros e assaltos são “lutas pela democracia”). Mas voltemos à porcaria do filme. Há dois problemas ao se analisar esse filme. O primeiro é ser preconceituoso por que é um filme gay (O filme é gay porque se não fosse gay a relação dos dois pastores, não haveria filme). O segundo é ser simpático demais ao filme porque é um filme gay. Por medo de ser chamado de preconceituoso, muitos foram simpáticos demais ao filme e por isto chamaram “obra-prima” a um urinol, coisa que não é novidade nestes tempos modernos. Hoje se tem mais medo de passar por preconceituoso contra os gays do que se passar por suspeito de homossexualismo. Ah, doravante, cuidado quando você for com uns amigos para uma pescaria, por exemplo, no Rio Araguaia. Logo chamarão essa sua ida lá de “O segredo do Araguaia” e dirão “ah, vai pescar com uns amigos? Já vi um filme sobre isto”. Pior é quando nas pescarias, o sujeito fisgar um peixe e gritar, “pegay, pegay”.

A SUPERIORIDADE DO CINEMA NA ARTE DE NOS FAZER VER BESTEIRA

Eu disse aqui (olha aí, novo link do texto em página especial para os convidados apostos) que ir ao cinema é a melhor forma de ler um romance. Pois bem, essa faca tem dois gumes. Vi um dia desses a bosta desse filme aqui e concluí que o cinema é também a melhor forma de se ler péssimos romances. Lembro-me do velho ditado, “o que dá pra rir, dá pra chorar”, pois naturalmente eu jamais deixaria o divertidíssimo livro que estou lendo (desse senhor aqui) para ler o romance da história que conta o tal filme. Facilidade nos enche de coisas inúteis, já aquilo que requer certo esforço, nos torna seletivos. Só veja um filme que, se fosse livro, você leria.

VI KING KONG

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Quando o destino nos dá
Naomi Watts de presente
Achamos que ela é nossa
Mas é ela, a dona da gente

IMPRUDENTE DE MORAES

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Excelente o documentário sobre Vinícius de Moraes, o sambista que casou nove vezes e, por isto, escreveu alguns poemas. Alguém que precisa de tanta paixão para fazer poesia não é poeta, é um galinha alcoólatra. Vinícius não era poeta. Era poesia. Poesia bêbada e apaixonada. Não era poeta, porque não fazia poesia, desabafava. Coisa que qualquer bêbado apaixonado faz.
ps – acho que foi o Millôr que o chamou de imprudente de Moraes.

CRASH

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Muito bom esse filme Crash – No Limite. Agora lembrei uma coisa, não tem gay. Que coisa, hein!?

EL TITLE

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OLD BOY

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É como se Tarantino tivesse miolos. Magnífico filme.

CRUZADA

Só duas coisas a dizer sobre o filme. A primeira: “Eva Green se soubesse do bem que te quero, o mundo seria, Eva Green, tudo, Eva Green. Eva Green, se um dia você for embora, me leva contigo, Eva Green, fica Eva Green, adivinha Eva Green, deixe Eva Green, que eu te adore, Eva Green”. A segunda: é um filme bocó.