NATUREZA VIVA


O pombo fez “pollock” no meu carro.

DOCE SONHO

sonho

Sonhei que a Orquestra de Strauss tocava para mim.
Foi um sonho de valsa.

O QUE É ARTE

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O guarda do museu conversava com o colega de turno, enquanto comia um sanduíche. O celular toca e o guarda deixa o sanduíche, com uma mordida, em cima da bancada, vai atender a ligação e se esquece do sanduíche, que fica ali durante todo o fim de semana. O sanduíche foi destaque nos cadernos de cultura dos grandes jornais e atraiu muita gente ao museu. Até que a analfabeta auxiliar de limpeza, que nunca ouvira falar em Duchamps (onde já se viu?) passou por lá e limpou aquela sujeira.

SATISFAÇÃO


A platéia subiu ao palco, expulsou os atores e o encheu com suas cadeiras. Lá embaixo, os artistas, quietos, humildemente representavam papel de platéia. Ninguém se divertiu, mas todos acharam bom. Os leitores invadiram as bibliotecas e encheram os livros com anotações. Os escritores leram todas com interesse, mas sem nenhum entusiasmo. Os compositores foram para o asilo, os poetas para o exílio, pois canções e poemas eram feitos pelo povo analfabeto e nada musical. Todos ficaram satisfeitos, mas desanimados. E o mundo, com a esperança aos pedaços, esperava a volta do Cristo.

A CRECHE

Montou um berçário e deu o nome de “clube do choro”.

SERTANEJO

O sertanejo pegou a enxada e foi fazer carreira solo.

GRÁVIDO

Marido traído dá à luz um filho do amante da mulher.

POR QUE ELA O AMAVA

Porque ele pronunciava “subsídio” corretamente.

FLAUTA, VIOLÃO E CAVAQUINHO

O chorão se despediu do choro. No dia de sua aposentadoria houve muito choro. Foi uma alegria só.

O QUE CADA UM É

De família de músicos, o jovem músico tímido (coitado!) sonha em ganhar a vida em um escritório, mas é violentamente pressionado pela família a trabalhar na música e fazer sucesso. No palco, suas as mãos tremem, a voz falta, o violão vacila. O pai, velho cantor, olha atravessado e ele ataca a introdução da canção com a certeza de que não nasceu para aquilo. Além disso, quando tiver coragem de abandoar o palco, os colegas do banco também não o perdoarão por ter escolhido a tediosa carreira de bancário. E ele sorrirá sabendo que ninguém escolhe ser o que é, apenas tem ou não tem o ânimo de conviver com as forças contrárias que teimam em sabotar nossos sonhos.