TEOS 2


1. O que há de bom em nós é um transbordamento do que de bom Deus nos deu e que atinge o outro. Então, para sermos bons precisamos de Deus e do outro.
2. Ateu é quem não acredita no Deus judaico-cristão. Ele acredita em outro deus.
3. Crer na dúvida é ser fiel do nada.
4. Na Bíblia não há padres.
5. A matéria é o som da voz de Deus. A matéria é o pensamento de Deus. A matéria é concretamente em Deus tudo que há de abstrato em nós.
6. O interessante é que esses senhores – Nietzche, Saramago, etc – até elogiam o Cristo. O que eles não suportam são os cristãos. De resto são loucos de pedra e deliram, deliram…
7. As pessoas que não gostam do Papa (quase todo mundo) geralmente o acusam de ser católico demais.
8. Pessoas que querem que a Bíblia seja científica por certo advogam que a poesia seja matéria exata. A ciência por certo condena todas as fábulas. A Bíblia é para ser entendida por crianças. Quem não entende isso não é adulto.
9. Pesquise direitinho e você vai descobrir a verdade: Jesus ressuscitou!
10. A Igreja não é contra o sexo sem a concepção. Ao contrário, é contra a concepção sem sexo. Se a Igreja nos quisesse eunucos, seria a favor da inseminação e fecundação artificiais. A Igreja é contra a dissociação da procriação com o ato da entrega mútua do casal.

TEOS 1

  1. O cristianismo não é uma opção, pois não escolhi a paternidade de Deus, foi Ele quem decidiu minha filiação.
  2. Não se deve ir à Igreja por causa do passado ou do presente e sim por causa do futuro. A isto se chama “Esperança”.
  3. A encarnação de Cristo é o milagre que esclarece tudo. A nossa própria encarnação passa a fazer sentido.
  4. Somos um monte de lama que recebeu um sopro divino.
  5. O Papa não é infalível. Infalível é o recado que Deus dá ao Papa. Chamam papal, a infalibilidade divina.
  6. Há laços de sangue entre nós e Deus. O sangue é o de Cristo.
  7. Não é por causa de padres que devemos ir à Igreja (ou deixar de ir).
  8. O santo é um pecador que não desistiu de Deus.
  9. A fome do mundo é fome de Deus.
  10. O pecado nos atrapalha, mas não nos impede de ver Deus, pois existe a Graça que é maior que qualquer pecado.

ARTIFICIALMENTE

Lendo artigos sobre um programa que faz o tuitador ter mais seguidores sem fazer esforço, fiquei pensando. A subida artificial também dá prazer, pois o importante é subir, mas tem hora que a pessoa que subiu artificialmente para para (viu o que a reforma ortográfica fez?) pensar e fica um pouquinho envergonhada de não ter contribuído com a própria subida. Ganhar na mega sena é ganhar dinheiro artificialmente. Os milionários que ganharam dinheiro com seu trabalho devem olhar com desdém para um ganhador da mega-sena (nem devem frequentar o mesmo clube). O ganhador da mega-sena deve se sentir mal de vez em quando por ser tão rico de forma artificial. Sempre me imagino dizendo meus desejos a um gênio da lâmpada. Além de saúde e unzinho pr’eu parar de me virar, pediria capacidade ilimitada de aprender as coisas que gosto e preciso. Dali para frente, seria comigo a responsabilidade de chegar aonde acho desejável. Isto é, mesmo com as habilidades conquistadas artificialmente, eu ia querer fazer um grande esforço para produzir coisas e para meus talentos não parecerem assim tão artificiais. O gênio deveria pensar “tsc, tsc, tsc, gente é bicho esquisito”. Gente quer ter mérito pelo que faz e obtém. Por outro lado, como diz aquela frase do Ronald Reagan, você consegue o que quiser contanto que não faça questão de ficar com os méritos. Muita gente faz o contrário: não consegue o que quer apenas por que não ficaria com os méritos da conquista, afinal, o mundo não admira muito (nem se lembra de) quem deu os passes para os mil gols do Romário. O dogma da graça é um dos mais combatidos, por tirar o mérito da própria salvação da pessoa do pecador e passá-lo para o amor de Deus revelado no sacrifício de Cristo. Inclusive, a maioria das religiões baseia a bem-aventurança a seus fiéis na meritocracia. A graça é uma coisa exclusiva do cristianismo (e do catolicismo em particular, pois há seitas cristãs que também advogam a meritocracia como critério para entrar no paraíso, como se nossos méritos pudessem se equiparar ao amor de Deus). Então, eu me pergunto, como ficarão as pessoas no paraíso? Meio frustradas por não merecerem estar lá? Por estarem lá “artificialmente”? Sentir-se-ão como o ganhador da mega-sena? Terão crises de consciência? Bem, caso alguém se sinta mal assim, é por que não está no paraíso, né? O fato é que o amor é mesmo injusto e, como diz o Padre Vieira, quanto mais injusto for, mais amor é. O inferno sim é o reino da justiça, pois só irá para o inferno quem merecer estar lá. E assim, me pergunto de novo, haverá alguma felicidade no inferno, a felicidade daqueles que sentirão que, no seu caso pelo menos, foi feito justiça e que ele realmente merece estar lá? Isso dará um alívio às almas do inferno e elas serão um pouquinho felizes? Mas, se houver felicidade, não é o inferno, né? Bem, deixo esses paradoxos para a eternidade resolver. E dá licença, que vou ali jogar na mega-sena.

DESAVISOS – FROM CINCO JUSQU’A HUIT

CINCO
Vou criar uma organização de extrema direita e extrema esquerda ao mesmo tempo, será o MSTFP.

7

Saramago disse à Folha que “O sonho da igreja sempre foi nos transformar em eunucos”. Ele certamente não sabe que esse era o sonho herético dos cátaros, contra o qual, inclusive, a Igreja criou a inquisição. Segundo Saramago, Deus vai pro inferno.

X
Médicos caridosos fazem aborto baseados na política de redução de danos. O “dano”, neste caso, é um ser humano que será assassinado, a pedido da mãe. A mídia acha isso bonito e dá matéria de capa aos abnegados infanticidas. É este o mundo em que vivemos.

SIX
No Século VI a. C. na Grécia todo mundo tinha um sistema cosmológico próprio. Era como ter um blog.

TRÊS
É bonito o canto dos pássaros, porém “piu piu piu”, isso é letra?! Pássaros deveriam ser apenas compositores e deixar o canto para profissionais do ramo. Eles, que vivem no ramo das árvores, pensam que são do ramo. Cantores são pássaros que vivem pousados no ramo da música.

ONE
Operação padrão é coisa que se faz no Brasil para sacanear as vítimas ou usuários de determinado serviço. Isto é, quando alguém no Brasil quer chatear cumpre direito sua obrigação e isso deixa o outro puto. E, pior, desestrutura tudo, destrói rotinas, enfim, ninguém entende o que está acontecendo. É um inferno.

DOS

Ideia para soneto: esqueça o futuro que já tivemos e lembre-se do passado que jamais teremos, pois é este o nosso presente.

QUATTRO
A reação também é ação, o que faz o reacionário um acionário e do revolucionário um seu irmão.

9
Ser pobre é achar que não tem o suficiente. Ser pobre é ter muito dinheiro e não ter criatividade. Ser pobre é muito estressante.

HUIT
Blog é literatura. Blog é jornalismo. Blog é revista de fofoca. Blog é diário de adolescente. Twitter é blog. Estou perdido, mas se quiser me seguir, eis me aqui, no Twitter, o lugar mais civilizado da rede, onde você pode estar na presença de quem não está na sua presença. Só vendo.

OS MILAGRES DA CIÊNCIA

Um crente de verdade, aquele que é pura fé, pode escolher entre a cura terapêutica ou a cura pela fé (queria ver os médicos não baixarem os preços de suas consultas e os laboratórios os preços de seus remédios). O milagre é a verdadeira verdade inconveniente. E segue o “embuste” da religião abastecendo o mundo de esperança e a razão da ciência destruindo vidas. Apesar da grande capacidade que tenho de duvidar, a fé não me pede tanto esforço e eu contemplo suas provas. A descrença me exige mais, e, então, duvido muito mais da descrença, coisa que os céticos são incapazes de fazer, pois eles têm a inquebrantável certeza de sua descrença, logo, pensando bem, têm muito mais fé que eu. Essa gente não sabe mesmo o que é duvidar. Deveriam aprender com os crentes. A ciência tem dogmas, a dúvida é um deles. A religião tem saberes comprovados, a esperança é uma delas.

EVOLUÇÃO

Segundo aqueles que negam a criação, a origem das espécies se deu assim: o nada estava lá quieto e, foi passando o tempo, foi passando o tempo, foi passando o tempo, e logo ele virou alguma coisa e essa coisa virou outra que virou outra até chegar à Gisele Bündchen. Será que era o nada mesmo? Para uma coisa virar outra, qualquer coisa que seja, ela já tem que ser a outra, pois a semente é apenas uma árvore zipada e um casulo é tão somente o executável de uma borboleta, algo como um arquivo butterfly.exe.

A RAZÃO É A LUZ QUE ILUMINA O OBSCURANTISMO DA FÉ. E VICE-VERSA

A ciência é um ramo da árvore. O sobrenatural é de onde veio a força da semente. Ciência e sobrenatural não são incompatíveis e se tocam mais do que muitos imaginam. A própria natureza está cheia de incompatibilidades aos olhos da ciência. Se tudo fosse simétrico na natureza como parece à primeira vista, teríamos dois corações como temos dois braços, duas pernas, dois pulmões (Chesterton nos lembra disso em seu livro Ortodoxia). A ciência nos mostra uma verificação feita à primeira vista. Em seguida nos mostra uma verificação à segunda, à terceira, à quarta, à quinta vista, e todas elas podem se contradizer e se desmentir mutuamente, pois a neve de longe é branca e de pertinho é meio cinza. A ciência é um método de medir. As leis da natureza têm um legislador. Esse legislador pode burlá-las, pois tais leis não se aplicam a Ele. É da ciência buscar a origem das coisas e ela sabe que a origem da coisa não está na coisa, assim como a energia que move a coisa não é produzida por ela. De onde veio a energia que faz o universo girar? De dentro dele? Não seria científico acreditar nisso. O problema é que o cientista ateu busca a causa das coisas até onde lhe convém. A Causa (maiúscula) ele descarta de cara e, nessa hora, se mostra não científico. A ciência é muito útil para desmascarar falsos milagres. Deveria ser útil também para reconhecer os verdadeiros. Nenhum cristão sério apoiaria o reconhecimento como milagre de algo falso. Ora, seguindo o raciocínio da causa, só podemos dizer que a causa da existência do universo é sobrenatural, pois antes de existir o universo, não se poderia falar em natureza. Se algo está além da razão, esse algo a engloba. Se o sobrenatural existe, ele vê e controla o natural, pois está acima dele. Pode inclusive fazer-se de invisível ao natural. Nada pode o natural afirmar a respeito do sobrenatural sem autorização deste. Só o agnosticismo seria respeitável em tal caso, pois o ateu se coloca na mesma posição anticientífica que ele tanto critica no crente. O crente, porém, não pretende mesmo ser científico. Se a ciência ainda não explica um evento, nós não o podemos atribuí-lo ao sobrenatural? Nesse ponto a ciência toma para si a divindade a se colocar como instância última que tudo sabe ou tudo saberá. É justamente o contrário, tudo deve ser atribuído a seres divinos, até que a ciência prove que não é. A ciência é um instrumento, não O saber. Além disso, existindo o mundo sobrenatural, ele pode muito bem entrar no mundo natural e usá-lo como instrumento. E a chuva, por exemplo, mesmo sendo explicada pela ciência, será uma chuva causada pela vontade de Deus (ou acontecerá algo que Ele não queira?). Vivemos em uma era científica, os cientistas acham isso, mas quão científica essa era é? Usando um raciocínio realmente científico, só podemos responder que não sabemos e que amanhã a ciência pode negar tudo o que afirma hoje. Outra coisa é a falsa dicotomia entre religião e ciência. A religião não é anticientífica e a ciência não deve ser anti-religiosa, pois, assim como a ciência desmascara falsos milagres, a religião também desmascara falsas ciências. A ciência é falsa justamente quando quer se travestir de religião. As verdades religiosas são eternas. As científicas são passageiras. Sempre que uma verdade científica se pretender eterna, deverá ser rechaçada, primeiramente pelos cientistas honestos e pela própria religião. Algumas teorias de Darwin, por exemplo, estão nessa classe de verdades científicas que se pretendem eternas e que a própria ciência já tratou de demonstrar a falta de um método científico ali e colocar tais teorias na caixa das meras hipóteses, apenas uma possibilidade no reino imensurável das possibilidades. Com a verdade religiosa se dá o contrário, pois seria muito estranho se o Papa aparecesse com a notícia de que o sexto mandamento foi revogado (apesar de que muitos gostariam que isso acontecesse). E quando as duas verdades se estranharam, há casos em que a Igreja recuou e há casos em que não recuou e só o tempo disse quem estava certo, mas nada tira a validade das verdades religiosas, pois ninguém discorda que não devamos matar o próximo e que devamos honrar nossos pais. Não foi um extremista religioso quem inventou a bomba atômica e, além disso, os maiores assassinos na humanidade eram ateus. Não posso afirmar que Mao Tse-Tung e Stalin mataram milhões de pessoas por serem ateus, como não posso afirmar que foi o islamismo de Bin Laden que o fez terrorista. O mal existe em qualquer coração. Cristo disse que “só Deus é bom”. A diferença é que um verdadeiro crente sabe que seus atos serão cobrados por Deus. As razões para atos moralmente aprovados de um ateu podem ser bem parcas, têm o limite de seus medos (ou de seu estômago). Talvez por isso, um ateu com muito poder seja mais perigoso do que um verdadeiro cristão com muito poder terreno (há vários exemplos de santos que foram reis e rainhas, mas não me lembro de ateus poderosos e bondosos, o que não significa que não existam). A maldade feita por quem se diz religioso é um desvio em sua religiosidade (o “extremismo religioso” é o que há de menos religioso, extremismo religioso era o de Cristo). Quem mata em nome de Deus desobedece a Deus. Mate a fé dessa pessoa e ela matará muito mais (imagina a bizarrice deste testemunho de um ex-crente: “eu tinha fé e matava, mas hoje, depois que me tornei ateu, sou um homem bom”). Um ateu não pode abrir sua científica boca para culpar a religião pelas violências do mundo e dizer em seguida que Stalin e Mao não foram genocidas por serem ateus, pois não é científica tal análise. Mesmo cientificamente, a fé não é algo que se deva combater, pois já se provou cientificamente que a fé faz bem para a saúde.

“PEGA E LINCHA ESSES LINCHADORES”

Um dos eventos mais importantes na vida de Jesus foi quando Ele impediu o linchamento de uma mulher adúltera. Ele ficou lá, escrevendo na areia, não encarou a multidão (e René Girard assinala isso como muito importante, pois se o fizesse poderia até ser linchado) e nem se juntou a ela, apenas mostrou a verdade “quem nunca pecou, atire a primeira pedra”. Ele optou por amar aquela mulher e não por fazer justiça, pois a lei autorizava o linchamento de uma adúltera. A mulher se tornou uma santa seguidora de Cristo e cada um que fazia parte da multidão foi para casa pensar melhor na merda que ia fazer. Multidão é o lugar onde o diabo se infiltra e fazer a festa. Devemos fugir da multidão sempre, ela geralmente está errada. Mesmo uma multidão de santos faria merda. Cristo é a melhor lente que existe para se enxergar as coisas como elas são, afinal Ele é A verdade. Muita gente boa fica indignada com o espetáculo que estão fazendo em torno da sevícia e morte da menina Isabella. Uma horda tosca quer linchar os pais, supostos culpados. Por outro lado, há muita gente boa querendo linchar os linchadores. Parece que foi na última revista Bravo que li a frase de Walt Whitman em que ele diz algo assim “não sou do tipo que fica a se queixar de que as pessoas só ficam se queixando”. Quem julga o povo que quer linchar está cometendo o mesmo erro que eles e nem percebe isso, pois há um raciocínio sinistro (marxista?) também de que os linchadores são “eles” e nós não somos linchadores, “nós” somos bons (o mesmo que eles dizem dos linchadores que lincham como quem afirma “eles são assassinos, nós não”). A análise dessa gente boa do ponto de vista psicanalítico – e marxista – está correta (quem sou eu pra dizer que não?!). Acontece que esse negócio do “pega e lincha” é algo antiqüíssimo. Trata-se do mecanismo do bode expiatório. O bode expiatório é um teatro satânico que consiste no fato de que toda uma população odeia alguém a quem culpa pelos seus próprios (da população) erros. Depois de julgar e executar o “culpado”, a população verifica que aquele era inocente, porém o assassinato leva a população a se recolher e viver certo período de normalidade. Essa história do bode expiatório é um dado antropológico, é um fato presente em todas as civilizações (estudado com profundidade pelo já citado René Girard, escritor francês, antropólogo das religiões). Quem veio para acabar com isso foi justamente Nosso Senhor Jesus Cristo (claro que Ele não conseguiu acabar, pois o demônio não se aposentou e manda seus auxiliares para remontar a peça sempre e sempre e essa peça, pelo jeito, não sai de cartaz tão cedo), justamente se oferecendo Ele mesmo para o papel do bode expiatório definitivo(é por isso que ele morreu por todos nós). Com Cristo, a tal peça muda seu roteiro, pois diferentemente do bode expiatório tradicional, Cristo se oferece voluntariamente à morte, diferentemente do bode expiatório tradicional Ele é não só declaradamente inocente como é o próprio Filho de Deus. E, antes de morrer, deixa um recado, para que paremos de odiar quem quer que seja “amai vossos inimigos e orai por quem vos persegue”. Antes de morrer, Ele perdoa quem o matou. Essa é a fórmula para o fim desse teatro de lúcifer. . Devemos dar um basta ao ciclo demoníaco de odiar. Um psicanalista marxista jamais escreveria que a culpa desse enlouquecimento da multidão é do diabo, ele provavelmente não acredita no diabo (e nem em Deus). Ele jamais assumiria que a solução para esse problema já nos foi dado por Jesus Cristo, isto é, vamos dizer que foram mesmo os pais da garota os assassinos, o que devemos fazer? Amá-los e rezar por eles. Qualquer drama humano tem que despertar em nós enorme piedade, jamais ódio, pois é isso que o diabo quer de nós, que odiemos. Marx é um dos diletos auxiliares do demônio ao convencer muitos de que é a luta de classe a máquina que faz a história caminhar. Para Marx, o pobre deveria odiar o rico, tirá-lo seus bens e se tornar dono de tudo, pois todo rico é mau e todo pobre é bom (como se, ao tomar os bens do rico pra si, o pobre não se tornasse automaticamente rico também e, num passe de mágica, uma pessoa má). Como dizia um psicanalista cristão, o demônio é burro.

PERCA PESO, ME PERGUNTE COMO!

- César, como eu faço pra perder peso?
- Passa fome, criança! Fome é a única coisa que realmente emagrece e, além disso, é grátis.
Eu perdi uns 6 quilos na última quaresma. Sinto-me um charlatão quando emagreço com jejum. Na verdade, quem está acima do peso, faz jejum com redobrado ânimo. Percebi perfeitamente isso: para emagrecer, nada melhor do que fome. Às 10 da manhã eu estava jubiloso de tanta fome. Não me importava, pois a idéia era aquela mesmo, passar fome. Se não passasse fome, cortaria ainda mais a ração que me mantinha de pé. O resultado foi ótimo, pois eu precisava mesmo emagrecer e eu que já fui gordo e já fui magro sei que ser magro é melhor. E vi o óbvio, que tudo o que fazemos por causa de Deus, os beneficiados somos nós. Passe fome e perca peso, pois a obesidade é um dos dois grandes males que atacam a humanidade. O outro é a fome. Há enorme diferença entre fome e jejum e entre jejum e dieta. Porém, entre dieta e fome há pouquinha diferença.

VIVER A VIDA

“Viver a vida” não é coisa de cristão. Pois a vida do cristão não é a própria vida. A vida do cristão é procurar um irmão a quem possa ajudar a carregar a cruz, como Simão de Cirine fez com Jesus, pois para o cristão, todo ser humano é o próprio Cristo. “Viver a vida” como se diz, geralmente, significa fazer alguma atividade egocêntrica. Há um livro de Bertrand Russell (que era ateu) em que ele chega à conclusão de que o significado da felicidade está em atividades, de alguma maneira, solidárias e sempre não egocêntricas. Jesus disse “quem quiser ganhar sua vida, perdê-la-á”, Russell conclui “quer ser feliz, doe-se”. A verdadeira vida é a vida de (amar a Deus e) servir ao próximo. O próximo é a família, os colegas de trabalho, o cliente, o pedinte etc, toda e qualquer pessoa que fizer parte de nossa vida ou cruzar nosso caminho. Por isto é que amar é bom e infeliz é o ser que não ama ou que só ama a si e quanto mais a amar exclusivamente a si, mais infeliz será.